76.000 pedem que Durão Barroso perca reforma da Comissão

(Bloomberg)

O facto de o ex-presidente da Comissão Europeia ter aceitado um novo cargo no Goldman Sachs justifica a petição, assinada por mais de 76 mil pessoas. A mesma será entregue no final de Setembro.

Mais de 76 mil pessoas já assinaram uma petição a exigir que José Manuel Durão Barroso perca a sua reforma como ex-presidente da Comissão Europeia. Em causa está o cargo aceite pelo português no Goldman Sachs.

A petição online foi organizada por um grupo de trabalhadores da União Europeia, que acusam Durão Barroso de um comportamento “irresponsável” e “moralmente repreensível” por decidir juntar-se ao banco de investimento americano como presidente não executivo.

Os responsáveis por esta petição – que receberá assinaturas até ao final de Setembro – consideram “desrespeitoso” a opção do português, acrescentando que a mesma contribui para acentuar posições anti-europeístas.

É pedida ainda a suspensão de todos os possíveis títulos honorários relacionados com as instituições europeias. O documento será enviado ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e ao presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

Entre as suas funções, o antigo presidente da Comissão Europeia irá aconselhar clientes do banco a lidar com a decisão do Reino Unido em abandonar a União Europeia, processo conhecido como Brexit.

O jornal The Guardian dá ainda conta que um sindicato de pessoal da União Europeia, que representa dois mil trabalhadores, escreveu a Jean-Claude Juncker a criticar a nomeação de Durão Barroso para o Goldman Sachs.

Durão Barroso começou no Goldman Sachs em Julho, 20 meses após ter abandonado a liderança da Comissão Europeia, onde esteve dez anos. Tecnicamente foi respeitado o período de transição de 18 meses imposto pelas instituições europeias.

É esse o argumento invocado pelo porta-voz da Goldman Sachs ao The Guardian. “Seguimos as regras estabelecidas pelos reguladores globais na contratação de ex-funcionários governamentais. José Manuel [Durão Barroso] assumiu o papel após um período de restrição de 18 meses após o final de seu mandato na Comissão Europeia, um período mais longo do que o imposto pela maioria das instituições europeias”, reagiu. (Negocios)

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