Waldemar Bastos no concerto reunião Sons da Lusofonia

Músico Waldemar Bastos (Foto: Arquivo/Angop)

O músico Waldemar Bastos canta no próximo dia 23, às 22h15, no Largo do Intendente em Lisboa (palco principal) do Festival Sons da Lusofonia, num espectáculo denominado “Concerto reunião”, que marca o 20º aniversário desta festividade.

Segundo Carlos Martins, da direcção artística do festival, o Concerto reunião parte da percepção da música como “(…) uma ponte que tem servido, mais do que outras artes e outras linguagens, para fazer passar valores humanos ancestrais que mostram a preservação da beleza. Os sons de Lisboa estão cheios de ritmos de África, do Brasil e de Portugal.”

Para o responsável, Lisboa é desde há muitos anos um caleidoscópio de melodias, ritmos, palavras cantadas e ditas e de vivências que muito têm contribuído para fazer da cidade o “sítio” que todos querem conhecer.

“Vamos juntar artistas que transportam dentro de si as principais tradições e tendências musicais de países como Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe”, disse Carlos Martins, acrescentado : “estaremos a comemorar 20 anos de Sons da Lusofonia e muitos anos de grandes canções e outras celebrações que fazem destes sons uma produção de grande qualidade e de grande eficácia em termos de construção de um espírito livre, a partir das convergências e confrontos que nos unem.”

Waldemar Bastos, músico e compositor angolano nasceu em 1954, na província de São Salvador do Congo, hoje província do Zaire. A sua carreira musical começou aos sete anos, quando o pai descobriu o filho, com um acordeão, a tocar músicas que ouvia na rádio.

Começou, então, a ter aulas de violão e de formação musical e cedo descobriu que aprendia tudo com uma facilidade enorme, não através da leitura das notas, mas por ouvido, o que confirmou o seu talento natural para a música.

Depois da sua primeira banda de música, Jovial, que actuou em toda Angola, Waldemar Bastos formou outros grupos que, por todo o país, tocaram em bailes e em concertos gratuitos. Após a independência de Angola, em 1975, Waldemar Bastos decidiu viajar pelos países do bloco soviético, pela Polónia, Checoslováquia, Cuba e União Soviética.

Nos anos 80, foi viver no Brasil e, com a ajuda de Chico Buarque (que conhecera, alguns anos antes, durante o projecto Kalunga – que ficou conhecido como um dos maiores intercâmbios entre África e o Brasil), gravou o seu primeiro disco “Estamos juntos” (1983) que, além da participação de Chico Buarque, incluiu também a colaboração de Jaques Morelenbaum, Dorival Caymmi, João do Vale, As Gatas e a Orquestra Sinfónica do Brasil.

Waldemar Bastos vive em Lisboa, Portugal, onde gravou os discos “Angola minha namorada” (1990) e “Pitanga madura” (1992), cujo tema com o mesmo título se tornou num grande êxito. Gravou, em Nova Iorque, “Pretaluz” (1997) e, em 2002, lançou o disco “20 anos de carreira”. Ainda do álbum Pretaluz, viu três temas – “Muxima”, “Sofrimento” e “Querida Angola” – a integrarem a banda sonora do filme Sweepers, de Dolph Lundgren.

Em 2005, lançou o disco “Renascence” com o selo da World Connection, na Holanda. O seu álbum “Classics of my soul” junta o músico e a London Symphony Orchestra, dirigida pelo maestro Nick Ingman. (Jornal de Angola)

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