UNITA e entidades civis pedem imparcialidade em investigações

Cidade de Benguela (DW)

Inquérito do Ministério do Interior angolano sobre incidentes envolvendo deputados em Benguela é questionado pelo maior partido da oposição. Presidente José Eduardo dos Santos promete que Governo vai clarificar o caso.

Políticos e organizações da sociedade civil exigem imparcialidade no inquérito que apura os incidentes ocorridos no município do Cubal, na província angolana de Benguela, contra uma delegação de deputados da UNITA.

O maior partido da oposição em Angola já denunciou que na origem dos confrontos que deixararam três mortos e seis feridos estiveram elementos alegadamente simpatizantes do MPLA, partido no poder, dizendo por isso ter-se tratado de um caso de intolerância política.

Na reunião extraordinária do Comité Central do MPLA na última sexta-feira (01/07), destinada a preparar o congresso de agosto, José Eduardo dos Santos lamentou os incidentes mortais envolvendo deputados da oposição e garantiu que entidades competentes da polícia e do Ministério do Interior estão a tomar providências para clarificar a situação.

“As autoridades competentes da polícia e do Ministério do Interior estão a tomar providências e informaram-me que estão a aprofundar um inquérito para determinar corretamente o que se passou”, declarou o Presidente angolano.

“Tudo deve ser feito para evitar que situações como estas voltem a acontecer. Ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos. Os cidadãos e pessoas coletivas, partidos políticos ou associações devem recorrer às autoridades quando alguém tentar violar os seus direitos”, acrescentou José Eduardo dos Santos.

UNITA exige imparcialidade

Em reação às palavras de José Eduardo dos Santios, a UNITA lamentou o facto de o Presidente da República ter-se pronunciado de forma tardia e exortou o Ministério do Interior de Angola a esclarecer por que “está a proteger milícias” ilegais que “realizam ataques contra deputados”.

O comunicado surge na sequência do resultado de um inquérito do Ministério do Interior, que responsabilizou militantes da UNITA pelos incidentes mortais ao realizarem disparos de armas de fogo contra a polícia. A retirada de duas bandeiras do MPLA, que a UNITA alegou terem sido colocadas na residência de um militante do partido, esteve na base dos tumultos, concluiu a investigação.

Amelia Judith Ernesto, secretária provincial do partido na Huíla, apelou para que haja imparcialidade na realização de um novo inquérito, pois no seu entender, este não foi o primeiro caso do género na história do país. “Estamos diante de um Governo de incompetentes”, diz.

Para o advogado David Mendes, da Associação Mãos Livres, casos como este “não são bons para a imagem de um Estado que quer ser democrático e de Direito”.

Por seu turno, Dom Manuel Imbamba, bispo da Diocese de Saurimo, defendeu a preservação da paz entre os angolanos. “É bom que se mantenha o clima de diálogo. Não aconselhamos nem a violência, nem a intolerância, nem situações que levem as pessoas a se distanciarem umas das outras”, afirma.

O ativista Laércio Wanadumbo diz que é urgente que a verdade seja conhecida para o bem da pátria. “Se queremos ter um país democrático e de direito a verdade tem de ser dita”, defende. (DW)

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