Unesco alerta que cidade de barro do Mali está em perigo

(Arquivo) A cidade de Djenne, no Mali, no dia 9 de fevereiro de 2005 (afp_tickers)

A agência cultural das Nações Unidas (Unesco) acrescentou nesta quarta-feira os lendários prédios de barro do Mali à sua lista de patrimónios em perigo, dizendo que a falta de segurança está impedindo a conservação do sítio, e também expressou preocupação em relação ao impacto do turismo sobre monumentos no Uzbequistão.

As cidades antigas de Djenne, no Mali, 570 quilómetros ao nordeste da capital, Bamako, são habitadas desde 250 a.C. e se caracterizam pelo uso extraordinário da terra na sua arquitectura.

As casas, das quais cerca de 2.000 sobreviveram, foram construídas sobre uma pequena colina, para protegê-las de inundações sazonais.

A Unesco disse que a 40ª reunião de seu Comité do Património Mundial em Istambul decidiu colocar o local na sua lista de património mundial em perigo.

“O Comité expressou preocupação sobre a propriedade, que está situada em uma área afectada pela insegurança”, disse a Unesco em um comunicado.

“Esta situação está impedindo medidas de salvaguarda de atenderem questões que incluem a deterioração de materiais de construção na cidade histórica, a urbanização e a erosão do sítio arqueológico”, afirma o texto.

A agência da ONU não detalhou a natureza das ameaças à segurança, mas o Mali tem sido ameaçado durante os últimos quatro anos por grupos islâmicos como a Al-Qaeda do Magrebe Islâmico (AQMI) e o Ansar Dine.

O local foi incluído na Lista do Património Mundial da Unesco, que relaciona as maravilhas naturais e culturais do mundo, em 1988.

A Unesco diz que o propósito da sua lista do património em perigo é informar o mundo sobre os riscos para as características que levaram um local a ser listado como Património Mundial, de modo a estimular acções correctivas.

Em 2012, jihadistas destruíram nove mausoléus na antiga cidade maliana de Timbuktu, assim como a sua famosa mesquita Sidi Yahia, que remonta aos séculos XV e XVI.

Incluindo Djenne, Mali agora tem três locais do património mundial na lista de perigo. Timbuktu e o Túmulo de Askia, em Gao, foram adicionados em 2012, quando o combate começou.

‘Mudanças irreversíveis’

Ao mesmo tempo, o comité também adicionou o centro histórico da cidade de Shakhrisyabz, no sul do Uzbequistão, à lista de risco, “devido ao excesso de desenvolvimento de infraestrutura turística no sítio”.

A cidade contém uma colecção incomparável de monumentos religiosos e seculares construídos durante o império do grande líder turco-mongol Timur no século XV.

O comité disse que a destruição de prédios no centro do sítio e a construção de instalações modernas, tais como hotéis, provocaram “mudanças irreversíveis na aparência da histórica Shakhrisyabz”.

A agência cultural solicitou uma missão para avaliar a extensão dos danos e propor medidas correctivas adequadas. O sítio foi declarado património mundial em 2000.

O comité também decidiu retirar o complexo de igrejas e locais sagrados na cidade georgiana de Mtskheta da lista de patrimónios em risco, onde figurava desde 2009 devido a modificações nos prédios e à expansão urbana.

“A decisão do Comité reflecte o reconhecimento dos esforços da Geórgia para melhorar a salvaguarda e gestão do sítio”, disse o comunicado da Unesco. (AFP)

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