UA adopta novo roteiro para erradicar a malária em África

União Africana contra a malária (Foto: Francisco Miudo)

Os líderes africanos aprovaram o quadro catalisador para erradicar a Malária em África até 2030, bem como acabar com a Sida e a Tuberculose, durante a 27.ª Cimeira da União Africana (UA) realizada em Kigali, nos dias 17 e 18 deste mês.

O quadro estabelece um percurso para se “eliminar a incidência e a mortalidade da malária e evitar a sua transmissão e recorrência em todos os países até 2030″, através da criação de um consenso que abrange toda a África.

Os chefes de estado e de governo comprometeram-se a cumprir e garantir plenamente os requisitos dos Centros de Prevenção e Controlo de Doenças de África, como o Regulamento Sanitário Internacional, visando a melhoria da qualidade da recolha, análise e partilha de dados.

Os países comprometeram-se também a reforçar os sistemas de saúde, a prestação de contas e a participação comunitária.

O Quadro Catalisador, que também define objectivos à escala continental para o VIH/SIDA e a tuberculose, incide sobre os princípios orientadores da apropriação e liderança do compromisso financeiro e político, da igualdade de acesso aos serviços de saúde para grupos vulneráveis e populações difíceis de alcançar, e de sistemas robustos de vigilância e resposta contra a malária ao nível nacional.

Estabelece ainda metas e objectivos, visando reduzir as taxas de incidência e de mortalidade da malária em pelo menos 40 porcento até 2020 e 75 porcento até 2025.

O objectivo final é a eliminação da incidência e da mortalidade da malária, e evitar a sua transmissão e recorrência em todos os países até 2030”.

O Presidente do Chade e da União Africana presente no acto incitou os países, sob a liderança dos respectivos Chefes de Estado e de Governo, a redobrar os seus esforços para manterem os financiamentos dos doadores existentes e a atribuição de recursos internos para garantir o sucesso do roteiro e a implementação de soluções sanitárias inovadoras, para erradicar a malária.

“Hoje, os líderes da África demonstraram uma vez mais o seu compromisso para com a erradicação do paludismo, ao adoptarem o Quadro Catalisador para Acabar com a SIDA e a Tuberculose e Erradicar a Malária até 2030, com marcos e objectivos claros. Através da nossa liderança contínua e do aumento da cooperação para financiar e realizar intervenções anti-palúdicas que salvem vidas, podemos manter o nosso impulso e alcançar uma África livre da malária.” Reforçou.

Desde 2000, as taxas de mortalidade da malária em África caíram 66 porcento em todos os grupos etários e 71 porcento entre as crianças até aos cinco anos de idade. Os óbitos anuais por paludismo em África diminuíram de um número estimado de 764.000 em 2000 para 395.000 em 2015.

Ainda assim, a malária continua a ser uma das principais causas de mortalidade em mulheres grávidas e crianças até aos cinco anos de idade.

Os presentes da reunião apelaram à implementação acelerada do Plano de Fabrico de Medicamentos para África, destacando a necessidade de melhoria da qualidade dos produtos produzidos localmente, bem como da respectiva disponibilidade e acessibilidade.

O Presidente enfatizou a importância do fabrico local em cada sub-região como uma via para simultaneamente se melhorar os serviços de saúde e criar empregos.

A aliança de líderes africanos contra a malária, (ALMA) é uma associação inovadora de 49 Chefes de Estado e de governo, numa acção que ultrapassa as fronteiras regionais e nacionais, visando alcançar uma África livre do paludismo até 2030.

Desde a sua fundação em 2009, a ALMA tem apoiado países na manutenção da luta contra o paludismo como uma das principais prioridades nas agendas nacionais e internacionais para o desenvolvimento. (ANGOP)

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