Três casos em que o “sexto sentido” rendeu milhões nas OPA

(Miguel Baltazar)

A história repete-se. Sempre que há uma OPA há alguns investidores com um sentido de oportunidade muito apurado que, em dois ou três dias, fazem mais-valias elevadas. Mas nem sempre passam no crivo da CMVM.

Muitos chamam à bolsa um jogo. Mas para muitos investidores a compra e venda de acções num determinado momento, nomeadamente antes de ser anunciada uma oferta pública de aquisição (OPA) pode revelar-se uma partida milionária. O problema é quando este sentido de oportunidade apurado não é mais que um esquema, em que alguns investidores ficam em poder de informação que não deveriam usar. Infracções que a CMVM descobre ano, após ano. Conheça três casos identificados no relatório anual da CMVM.

Uma notícia que valeu 50 mil euros

Nunca tinha investido tanto dinheiro em acções. Mas, um dia, um administrador executivo de um banco e a sua mulher decidiram comprar um grande lote de acções. Investiram 750 mil euros. Um valor elevado, com recurso a um empréstimo, que, em dois dias, se transformou numa mais-valia de 50 mil euros. A coincidência, destacada pela CMVM, é o facto da compra de acções ter acontecido precisamente no dia em que foi anunciada uma proposta de fusão entre duas empresas, cujos títulos o mesmo investidor vendeu “nas duas sessões subsequentes à divulgação do comunicado”. Uma compra oportuna justificada pelo próprio por uma “alegada notícia na rádio sobre um aumento do volume transaccionada em mercado nessa manhã”. O investidor desempenhava na altura funções no banco que, aquando do anúncio da fusão, mantinha uma posição qualificada numa das entidades envolvidas na operação.

O estreante que ganhou 47% em três dias

Corria o ano de 2011, quando um investidor, que apenas mantinha em carteira títulos de dívida, decidiu investir no mercado accionista. Comprou acções de uma sociedade três dias antes de ser anunciada uma OPA. Uma “maré de sorte” que lhe permitiu ganhos de 47%, uma vez que vendeu as acções logo após o anúncio da operação. Há no entanto um pequeno senão. É que o investidor era colaborador de uma empresa do grupo que controlava a sociedade que foi alvo da oferta. Acabou por ser apanhado pela CMVM e condenado em tribunal pelo crime de abuso de informação.

Não era “insider” mas teve informação de dentro

Era uma sessão como outra qualquer. Tudo corria normalmente. Um investidor comprou acções de uma empresa, mas eis que é comunicado um facto relevante. A empresa da qual acabou de comprar acções foi alvo de um anúncio preliminar de OPA. Um rasgo de sorte que permitiu uma mais-valia superior a 20%, com o investidor a desfazer-se das acções no dia seguinte. Tal como em tantos outros casos, a CMVM considerou que havia indícios de abuso de informação. Isto porque, apesar do investidor em causa não constar da “lista de ‘insiders’ da OPA”, “mantinha relações de proximidade com ‘insiders’ da OPA em razão da sua actividade profissional”. (Jornal de Negocios)

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