Tony Blair exagerou ameaça para legitimar invasão do Iraque, acusa relatório

Tony Blair (TVI24)

Trabalhado durante sete anos, relatório “Chilcot” apontou várias falhas à entrada do Reino Unido na guerra do Iraque.

Era suposto demorar um, mas acabou por se arrastar durante sete longos anos de pesquisa. O relatório “Chilcot”, uma investigação ao envolvimento do Reino Unido na guerra do Iraque, foi hoje finalmente apresentado. A demora na divulgação dos resultados e o custo – cerca de dez milhões de libras – foram criando, ao longo do tempo, um elevado grau de antecipação junto da opinião pública, mais concretamente na possibilidade de virem a ser descobertas verdades inconvenientes sobre a intervenção militar em solo iraquiano.

A investigação, composta por mais de 12 volumes, empresta o nome a Sir John Chilcot, conselheiro privado de Sua Majestade, Isabel II, que preside à comissão de inquérito. E foi ele, em conferência de imprensa, quem apresentou as principais conclusões do relatório que vem agora apontar falhas às decisões do Reino Unido em entrar na guerra. Entre elas, a ideia de que a intervenção britânica não foi um “último recurso” e que o então primeiro-ministro trabalhista, Tony Blair, enviou tropas para o Iraque sem considerar “todas as alternativas pacíficas”.

Concluímos que o Reino Unido decidiu juntar-se à invasão no Iraque sem que fossem exploradas opções pacíficas para o desarmamento. Na altura, a ação militar não era um último recurso”, referiu John Chilcot durante a conferência de imprensa, esta manhã.

Esta última questão, adianta John Chilcot, fez com que norte-americanos e britânicos “minassem” a autoridade do Conselho de Segurança da ONU, ao terem pressionado no sentido de recorrer a força militar, sem que todas as opções tivessem sido consideradas.

Outro ponto fulcral prende-se com a noção de Blair ter apresentado informações quanto às armas de destruição maciça do Iraque “com um grau de certeza injustificado”. O relatório defende que as políticas britânicas foram tomadas com base em “informações e avaliações defeituosas”.

Elas não foram questionadas – e deviam ter sido”, afirmou Chilcot a propósito da informação utilizada pelo executivo para sustentar entrada na guerra.

As descobertas do relatório foram então “unânimes”, avançou Chilcot já nas declarações finais para concluir que as ações militares até podiam ter sido necessárias a dado momento. Porém, não eram necessárias em Março de 2003. Assim, a comissão de inquérito acredita que não havia “qualquer necessidade” de ir para a guerra nessa altura.

O relatório “Chilcot” foi pedido em 2009 pelo antigo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Tony Blair deve convocar uma conferência de imprensa em breve para comentar as conclusões da investigação. David Cameron, que se demitiu do executivo depois do referendo do “Brexit”, e Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, devem prestar igualmente declarações.

Ainda esta manhã, junto ao edifício QE2, o centro de conferências onde foi apresentado o relatório, em Londres, dezenas de pessoas juntaram-se para protestar contra Tony Blair e a intervenção militar no Iraque.

Entre os manifestantes estiveram inclusivamente familiares de soldados britânicos que perderam a vida no conflito. Em entrevistas às estações de rádio e canais televisivos, pediram que fosse contada a verdade. Outros exigiram que Tony Blair fosse julgado por crimes de guerra.

179 soldados do Reino Unido morreram no conflito. Depois da comunicação social, foi a vez das famílias das vítimas começarem a consultar a investigação, à porta fechada. (TVI24)

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