‘Se alguém tem que estar no banco dos réus, é Tony Blair’

(Sputnik/ Vladimir Fedorenko)

O ex-embaixador da Jugoslávia no Reino Unido Vladeta Jankovic chama o relatório da comissão parlamentar de Chilcot de um acontecimento muito importante. Segundo Jankovic, faz tempo que a mídia britânica escreveu que Saddam Hussein não tinha armas de destruição em massa.

“Mas ganhou a propaganda de Tony Blair, ele é realmente hábil nessa área. Parece que o assessor do primeiro-ministro da Sérvia Vucic vai ter o que merece, e que seria justo, porque ele puxou o seu país para uma guerra injusta e cara, traiu os interesses nacionais e a confiança das pessoas. Se alguém tem que estar no banco dos réus, é Tony Blair”, diz Jankovic.

De acordo com Jankovic, o relatório levanta a questão das relações entre Londres e Washington.

Há muito tempo que os observadores britânicos objectivos diziam que a política externa de Londres é completamente dependente dos EUA e que Blair era “um poodle” do presidente americano. O nosso interlocutor julga que seja preciso acabar com esta situação. Uma coisa é a amizade ou aliança especial, e outra bem diferente é entregar o seu próprio destino em mãos alheias, o mesmo que Blair fez, acrescentou ele.

Blair, que chamou a agressão da NATO contra a Jugoslávia de “uma batalha entre o bem e o mal, entre civilização e barbárie”, foi um dos propagandistas mais activos desta intervenção. Um analista militar e membro do parlamento sérvio, Milovan Drecun, aponta o fato que Blair está na lista dos políticos com maior responsabilidade, não apenas pelo Iraque, mas também pela Jugoslávia em 1999.

No seu tempo, Colin Powell declarou na tribuna da ONU que o regime iraquiano tinha armas de destruição em massa e que Hussein estava ligado à Al-Qaeda e a Bin Laden. Mesmo assim, ficou claro que a verdade era diferente, porque ex-agentes da CIA disseram que tinham informado o presidente norte-americano que Hussein não tinha essas armas, disse Drecun.

“Não se esqueça que durante a guerra no Iraque ganharam apenas as empresas britânicas. Há informações que no primeiro ano de reconstrução do Iraque, elas receberam 600 biliões de dólares. Mesmo que a quantidade fosse cem vezes menor <…> é um fato que Blair, sob liderança dos EUA, destruiu um Estado soberano sem qualquer razão”, continua Drecun.

Vários interlocutores da Sputnik duvidam que Blair enfrente a Justiça. “Depende da influência política das estruturas que estavam por trás da intervenção no Iraque. <…> Blair no banco dos réus seria um precedente perigoso”, diz Drecun. (SPUTNIK)

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