Produtores querem pão mais barato

(Foto: D.R.)

O preço máximo do pão de 60 gramas deve ser fixado em 19 kwanzas ao invés dos 30 cobrados agora em Luanda, considerou sexta-feira, em declarações à Angop, em Ndalatando, o presidente da Associação das Indústrias de Panificação e Pastelaria de Angola (AIPPA).

Gilberto Simão disse, à margem de um encontro com os industriais de panificação e pastelarias do Cuanza Norte, que uma proposta nesse sentido já foi submetida ao Ministério das Finanças, para que se encontrem soluções para melhorar a qualidade e a oferta do pão no país.
“Agora é urgente que se estabeleça um preço de referência e que exista uma indexação do preço da farinha de trigo a um preço de venda do pão básico que contribua para erradicação da fome e da pobreza e a provisão da merenda escolar”, declarou.
O responsável acrescentou que não basta baixar o preço do pão, mas que também é necessário determinar lugares próprios para a venda em boas condições de higiene e sem especulação.
A Associação está engajada na criação de uma central de compras que esteja subjacente  a uma cooperativa de industriais de panificação e pastelaria devidamente controlada e fiscalizada pelo Governo, visando combater a especulação que se regista hoje.
Gilberto Simão informou que a Associação está a trabalhar igualmente na formação dos pasteleiros para a atribuição de carteiras profissionais, assim como na formalização da venda da produção e a aplicação de medidas para acabar com a venda irregular e especulativa do pão.

Capital estrangeiro

A AIPPA considera que prevalece em Angola um quadro difícil de actuação para os panificadores nacionais, o que torna urgente a redefinição de políticas para a melhoria do actual cenário. “Cerca de 80 por cento da indústria panificadora nacional é, neste momento, controlada por expatriados e nós queremos inverter isso”, disse.
Os empresários nacionais ligados ao sector da panificação controlam apenas 20 por cento do mercado e, face à escassez de divisas, a situação destes piorou.
O presidente da AIPPA declarou que o sector está a enfrentar uma crise generalizada, que não se resume apenas na falta de divisas, mas, sobretudo, na falta de estruturas sólidas ligadas à importação e comercialização da farinha de trigo.
Gilberto Simão admitiu que existe no país uma estrutura devidamente montada que importa e comercializa farinha de trigo para algumas padarias a preços atractivos, mas que ainda impera uma oferta regida pelo preços especulativos e elogiou as medidas tomadas pelo Executivo para contrapor à actual realidade do sector, as quais preconizam maior intervenção do Entreposto Aduaneiro.
Para manter o funcionamento normal da indústria panificadora nacional, o país necessita de cerca de 50 mil toneladas de trigo por mês, umas 600 toneladas de fermento, 160 toneladas de melhorantes, perto de 700 toneladas de óleo vegetal e 1.200 toneladas de sal.
A Associação regista 550 associados, 500 dos quais concentrados em Luanda e 50 nas restantes províncias. (jornaldeangola)

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