Primeiro-ministro classifica Brexit como “bizarria britânica”

(Bruno Simão/Negócios)

O primeiro-ministro, António Costa, comparou esta sexta-feira a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) a gostar de conduzir pela esquerda.

“Estamos todos chocados com o voto no Reino Unido”, afirmou António Costa no encerramento da conferência “Relançar a Europa – da austeridade ao crescimento”, promovida pelo Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (S&D), esta sexta-feira, no Porto.

“Mas, verdadeiramente, a causa do voto no Reino Unido não é mais do que uma bizarria britânica, como gostarem de conduzir pela esquerda ou insistirem em estar com um pé dentro e um pé fora da UE, a causa do voto dos britânicos é a mesma causa que levou a que os populistas tivessem ganho em Itália as câmaras de Turim ou Roma, é a mesma causa pela qual em muitos países do norte da Europa a extrema-direita está a crescer e é a mesma causa pela qual países do leste europeu sejam agora os primeiros a fechar as fronteiras a quem procura refúgio na Europa”, disse.

Na semana passada, os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da UE, depois de o ‘Brexit’ (nome como ficou conhecida a saída britânica da União Europeia) ter conquistado 51,9% dos votos no referendo. A decisão levou o primeiro-ministro inglês David Cameron a pedir a demissão.

Para António Costa, os inimigos da UE são o “medo e desconfiança”.

O medo que os cidadãos europeus têm de que a UE não seja capaz de defender o modelo social no contexto da globalização, de que não seja capaz de defender fronteiras perante ameaças, de que não seja capaz de combater ameaças internas e de que não seja capaz de prometer com confiança um futuro de prosperidade, explicou.

Na opinião do chefe do Executivo, além do medo, os 28 estados membros da UE deixaram-se “minar” pelo “terrível vírus da desconfiança” e enquanto esse problema não for assumido, não será resolvido.

“Hoje, o preconceito instalou-se entre nós. Muitos dos países contribuintes acham que os países do sul são países onde ninguém quer trabalhar, querendo viver à custa dos impostos dos países ricos”, exemplificou.

Por isso, Costa vincou que sempre que a UE ceder nos seus valores está a abrir caminho para que os inimigos avancem e minem os valores da UE.

O primeiro-ministro salientou que deve haver um esforço entre todos para que os estados membros se conheçam melhor uns aos outros e percebem porque é que uns têm sucesso e outros não, porque é que uns estão a crescer e outros não ou porque é que uns são excedentários e outros têm défice.

E realçou: “e se estas questões forem vistas com objectividade, percebemos que não há lugar para o preconceito”.

Enquanto não houver um orçamento “a sério” na zona euro, nunca haverá correcção das assimetrias, nem equilíbrio, concluiu. (Jornal de Negocios)

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