Presidente angolano pede “paz e estabilidade” a um ano das eleições

(PAULO NOVAIS/EPA)

O presidente angolano candidatou-se novamente à liderança do MPLA, partido que dirige desde 1979. Eduardo dos Santos já anunciou que deverá deixar a vida política em 2018.

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, apelou esta sexta-feira à defesa da “paz e estabilidade” do país, tendo em conta o período de preparação das eleições gerais de agosto de 2017, exortando ao “diálogo” para ultrapassar as divergências.

O chefe de Estado falava em Luanda, enquanto presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na abertura da quarta reunião extraordinária do Comité Central do partido, destinada a preparar o congresso eletivo de agosto próximo.

“No próximo ano, o país vai realizar eleições gerais. Todos nós, independentemente do partido ou da religião a que pertencemos, temos de defender a paz e a estabilidade do país e continuar a dizer: à guerra, nunca mais voltaremos. Os nossos problemas e divergências devem ser resolvidos pelo debate, pelo diálogo, respeitando a via democrática definida na Constituição da Republica”, exortou José Eduardo dos Santos.

O chefe de Estado e líder do MPLA, que anunciou que deixa a vida política ativa em 2018, após quase 40 anos no poder, admitiu um cenário de alternância no país, se essa for a vontade do povo.

“O poder político e alternância do poder não devem ser conquistados pela força, mas sim através de eleições e do voto do povo”, disse.

José Eduardo dos Santos formalizou na quinta-feira, na sede nacional do partido, a sua recandidatura a presidente do MPLA, que lidera desde 1979.

Não são conhecidas outras candidaturas ao cargo, decorrendo o prazo de apresentação de listas até 14 de julho.

A eleição para a liderança do MPLA será feita durante o VII congresso ordinário do partido, que vai decorrer em Luanda entre 17 e 20 de agosto, antecedendo as eleições gerais em Angola, previstas para 2017.

A Lusa noticiou na terça-feira que 2.591 delegados escolhem em agosto, em Luanda, durante o VII congresso ordinário, a liderança e o Comité Central do partido.

Entre outras questões, os delegados a este congresso – eleitos nas últimas semanas em todas as 18 províncias juntamente com os secretários provinciais do partido -, que se realiza em Luanda entre 17 e 20 de agosto, vão eleger o presidente do MPLA e o Comité Central, preparando as eleições gerais de 2017.

José Eduardo dos Santos nomeou no início deste mês a filha mais velha, a empresária Isabel dos Santos, para presidente do conselho de administração da empresa concessionária estatal do setor dos petróleos, Sonangol.

Isabel dos Santos assume-se publicamente como militante do MPLA desde 1992 e está a ser apontada por alguma imprensa local como possibilidade para entrar no Comité Central do partido e mesmo sucessora de José Eduardo dos Santos.

O Comité Central do MPLA aprovou a 11 de março deste ano a candidatura de José Eduardo dos Santos à liderança do partido.

José Eduardo dos Santos, presidente do MPLA e chefe de Estado angolano há 36 anos, anunciou no mesmo dia, antes desta aprovação, que deixa a vida política ativa em 2018, ano em que completará 76 anos.

“Em 2012, em eleições gerais, fui eleito Presidente da República e empossado para cumprir um mandato que nos termos da Constituição da República termina em 2017. Assim, eu tomei a decisão de deixar a vida política ativa em 2018”, anunciou José Eduardo dos Santos.

Contudo, o chefe de Estado angolano não clarificou em que moldes será feita a sua saída da vida política e se ainda estará disponível para concorrer às eleições gerais de agosto de 2017, antes da sua retirada.

José Eduardo dos Santos é Presidente de Angola desde setembro de 1979, cargo que assumiu após a morte de Agostinho Neto, o primeiro Presidente angolano. (OBSERVADOR)

por Lusa

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