Portugal produziu menos 20% de resíduos perigosos em 2015

Greve na recolha do lixo em Lisboa (LUSA)

Os resíduos perigosos têm origem principalmente no setor industrial, mas também são produzidos na saúde, na agricultura, no comércio, nos serviços e até nas casas dos cidadãos.

A produção de resíduos perigosos desceu 20% no ano passado, na comparação com 2014, ficando nas 430,4 mil toneladas, a maior parte encaminhada para eliminação, segundo informação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Numa resposta a questões da agência Lusa, a APA cita dados do Mapa Integrado de Registo de Resíduos (MIRR) para apontar o decréscimo de um quinto no total de resíduos perigosos em 2015.

Portugal, como os restantes países, importa e exporta resíduos perigosos e, no ano passado, recebeu 46,5 mil toneladas e enviou para o exterior 52,8 mil toneladas.

Na comparação com a situação descrita no Relatório Estado do Ambiente (REA) relativo a 2014, conclui-se que a quantidade de lixo perigoso recebido caiu em 2015 já que no ano anterior tinha atingido 61 mil toneladas (contra 46,5 mil).

Também as saídas de resíduos perigosos desceram das 57 mil toneladas de 2014 para as 52,8 mil toneladas do ano passado.

Os resíduos perigosos têm origem principalmente no setor industrial, mas também são produzidos na saúde, na agricultura, no comércio, nos serviços e até nas casas dos cidadãos.

“Devido à sua perigosidade, quer para o homem quer para o ambiente, deve ser levada a cabo uma correta gestão” deste tipo de lixo, conforme a explicação disponibilizada pela APA no seu sítio na internet.

Em 2015, do total de resíduos perigosos produzidos, 272,8 mil toneladas foram encaminhados para uma operação de eliminação, enquanto as restantes 157,6 mil toneladas tiveram como destino a valorização.

No final de junho, em declarações à Lusa, Rui Berkemeier, da Quercus, alertou para a urgência de saber “qual é a produção de resíduos perigosos para poder avaliar se o tratamento está a ser adequado ou não”.

Em meados de março, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, afirmou que a fiscalização dos resíduos perigosos iria ser reforçada e defendeu a necessidade de clarificar a produção e percurso deste tipo de lixo.

“Vamos reforçar a fiscalização nos resíduos perigosos”, disse o governante, acrescentando que é necessário perceber o que se passa, quanto se produz e o que acontece a seguir.

“Se os resíduos [perigosos] desaparecem, alguém tem de explicar o que aconteceu”, defendeu na altura o secretário de Estado.
Resíduos hospitalares perigosos nas 21 mil toneladas em 2015

A produção de resíduos hospitalares perigosos ficou nas 21 mil toneladas em 2015, uma quantidade já mais baixa que a meta estabelecida para 2016.

Ao não atingir a meta fixada para este ano, cerca de 23 mil toneladas, “cumpriu-se o cenário mais restritivo para este indicador”, referiu a APA, em resposta a questões da agência Lusa.

No ano passado, a capacidade de tratamento instalada em Portugal para os resíduos hospitalares perigosos era superior aos valores fixados no Plano Estratégico dos Resíduos Hospitalares (PERH) para 2016 e, no caso do lixo do grupo IV, que é de incineração obrigatória, é quatro vezes superior.

A capacidade instalada para estes resíduos perigosos era de 8,2 mil toneladas e o PERH refere 2 mil toneladas, segundo os dados da APA.

Quanto ao grupo III, que abrange os produtos de risco biológico – resíduos contaminados suscetíveis de serem encaminhados para a incineração ou para algum pré-tratamento que permita a sua eliminação como resíduo urbano -, a capacidade instalada atingia cerca de 46 mil toneladas, igualmente acima das 41,4 mil toneladas indicadas no PERH.

A APA refere ainda que, no ano passado, a produção de resíduos hospitalares do grupo IV foi inferior à meta estabelecida para 2016, “tendo também este objetivo sido cumprido”.

A quantidade deste tipo de lixo ficou em 2015 nos 6,13% para uma meta do PERH de 8% para 2016. (TVI24)

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