Populares de Caxicane queixam-se de não receberem casa

(Foto: D.R.)

Desconfiam que, com a paralisação das obras do segundo bairro, vulgarmente conhecido como “casas vermelhas”, a sua situação, que, segundo eles, já dura mais de um ano, venha a piorar.

Mais de uma centena de famílias de Caxicane , município de Icolo e Bengo, em Luanda, receiam não poderem ser transferidas da antiga vila ribeirinha para a Nova Caxicane, como também é conhecida a zona habitacional situada próximo da estrada que liga Catete à comuna da Cabala.

Trata-se dos moradores de três dos oito bairros que compõem a referida localidade, à beira do rio Kwanza, nomeadamente MBanza MBombo, Caxicane e Luís Miguel, onde existem, respectivamente, 7 famílias, 33 e mais de 48, além de outras 20 que, na altura do registo, não foram cadastradas por se encontrarem fora da zona.

Importa referir que as famílias que residiam nos subúrbios de Vuanga, Quimdemba, Passos Diogo, Jinganga e uma parte da antiga sede de Caxicane já moram no novo centro habitacional há mais de três anos. Os referidos moradores, que pediram para seus nomes não serem citados nesta reportagem, por temerem represálias, justificaram a sua desconfiança no que tange a paralisação das obras do segundo bairro, vulgarmente conhecido como “casas vermelhas”, uma situação, que segundo eles já dura há mais de um ano.

“Estamos à espera de ser transferidos desde 2014, até agora só nos dizem que a crise fez parar a construção das casas, o que não sabemos é quando será que esta crise vai acabar”, lamentaram, adiantando que o projecto de construção das residências tinha começado muito antes dos problemas financeiros que o país enfrenta. A passagem dos vizinhos dos bairros Luís Miguel e MBanza MBombo, segundo eles, ocorrida em Fevereiro de 2015, aumentou ainda mais a desconfiança dos reclamantes, que se asseguraram do facto de os mesmos terem ocupado todas as habitações que estavam concluídas.

Importa referir que nesse centro habitacional das “casas vermelhas” existem oito residências inacabadas. Não são poucos os moradores da antiga vila que, sentindose agastados, já manifestaram o desejo de cobrir as referidas residências, conforme contou um dos habitantes das terras de Neto, para quem a prioridade devia ser para as mulheres grávidas e viúvas.

Coordenação acusada de conivência

Cândido João Gomes é o coordenador geral dos habitantes de Caxicane e já vive no novo centro habitacional há três anos. Ele diz que a situação em que se encontram os seus vizinhos na antiga vila é de total pressão, uma vez que as pessoas com quem conviviam se encontram fora do seu ciclo. “Por isso, era bom que as autoridades se apressassem a resolver este caso, para nós não sermos apontados como coniventes”, apelou Cândido Gomes.

Quanto às razões da paralisação das obras, o coordenador disse que havia recebido informação das instâncias superiores que apontavam o interregno como sendo de curto prazo, devido à situação financeira que o país vive. Mas recordou ter ouvido das mesmas entidades a garantia de a obra ter sido paga, na apresentação do projecto que visava a construção de 600 casas. De acordo com o cordenador, até 2015, o registo de casas era de mais de 400.

“Abandonam as casas e voltam a queixar-se”

adriano mendesO administrador municipal de Icolo e Bengo, Adriano Mendes de Carvalho, esclareceu que o problema não era da administração, mas dos beneficiados que, depois de acomodados nas novas residências, regressavam à antiga Caxicane. “Não compete à administração resolver o problema, compete a eles próprios, que abandonam as casas novas e voltam a morar nas antigas para logo a seguir se queixarem de não terem recebido residências”, aclarou Adriano Mendes de Carvalho, tendo adiantado que os supostos habitantes da aldeia não correspondiam aos dados apresentados pelo coordenador.

Outra situação apontada pelo administrador tem a ver com o facto de haver pessoas que residem noutros municípios de Luanda que vão instalar-se, temporariamente, na vila ribeirinha para constarem como beneficiários, apresentando-se na condição de herdeiros ou familiares de antigos residentes. Adriano Mendes de Carvalho questionou a existência dos tão propalados oito bairros que, segundo ele, nem se encontravam separados mais de mil metros, tendo preferido classificar apenas a área como aldeia de Caxicane.

Finalmente, contrastou os dados apresentados pelo coordenador Cândido Gomes, tendo adiantado que as famílias de Caxicane não passavam de 200. “O facto de se ter anunciado a construção de 600 casas motivou o crescimento da população da aldeia”, observou, tendo aclarado que as residências não seriam única e simplesmente para os conterrâneos de Neto, mas também para outros habitantes instalados no corredor entre Catete e Cabala. (opais)

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