Polémica em torno de novos embaixadores caboverdianos

Luís Filipe Tavares, ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde (governo.cv)

Instalada polémica em Cabo Verde, após o primeiro-ministro, Ulisses Correira e Silva, ter nomeado embaixadores para capitais ocidentais, considerados embaixadores políticos, pela oposição do PAICV.

Polémica em torno da mudança de embaixadores está a gerar muito debate em Cabo Verde, com os partidos da oposição e ex-primeiro-ministro, José Maria Neves, a criticarem o que consideram ser “nomeações políticas”, enquanto o Governo garante que os nomeados têm perfil adequado.

A polémica instalou-se quando o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, líder do MpD, vencedor das últimas eleições legislativas, confirmou os nomes de Carlos Veiga, ex-primeiro-ministro e antigo candidato a eleições presidenciais, como embaixador, em Washington, de Eurico Monteiro, deputado do MpD, nomeado para Lisboa e do deputado e diplomata de carreira, José Filomeno Monteiro, para embaixador, em Bruxelas.

O antigo ministro e diplomata, Corsino Tolentino, um histórico do PAIGC e do PAICV, considerou “normal a nomeação de embaixadores políticos, mas solicitou ponderação ao Presidente da república, dizendo:

“Só depois de esgotar todas as possibilidades dentro desta carreira é que devíamos recorrer aos embaixadores políticos, uma vez que já vamos com 41 anos, e portanto, já houve tempo de desenvolver esta carreira”.

De notar, que o Presidente da república, Jorge Carlos Fonseca, exonerou esta semana, os embaixadores nessas capitais, para onde o Mpd, envia os seus novos homens, mas, em Paris, apesar da exoneração da Embaixadora, Fátima Veiga, ainda não foi avançado o nome que representará Cabo Verde, em França.

O primeiro-ministro, Ulisses Correira e Silva, insiste, em dizer, que “estas nomeações são normais e constituem uma opção do seu governo, em postos de representações diplomáticas, muito importantes e prioritárias para o país.”

Convém dizer que estas críticas e defesas, são recorrentes entre os dois principais partidos, que vêm governando Cabo Verde, o PAICV e o MpD, desde a abertura política e eleições livres, nos anos 90, no país.

Quando o MpD, está no poder, nomeia os seus homens, que são denunciados, pelo PAICV, como sendo “embaixadores políticos”. Depois, quando o PAICV é governo indica nomes do seu partido como embaixadores, denunciados pelo o MpD, como sendo “embaixadores comissários políticos”.

Sem dizer, que na altura do regime de partido único, desde 1975 até 1990, o PAIGC e depois o PAICV, nomearam sempre os seus militantes como Embaixadores, impostos a todos, porque na altura não havia partidos da oposição. (RFI)

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