PGR investiga suposto tráfico de crianças para Europa

João Maria de Sousa, procurador- geral da República (Foto: Gaspar dos Santos)

A Procuradoria-Geral da República está a investigar um suposto caso de tráfico de seres humanos que envolve três crianças angolanas levadas para França, tendo uma delas já regressado ao país.

A informação foi avançada quarta-feira em Luanda, pelo procurador-geral da República de Angola, João Maria de Sousa, que falava à imprensa, quando da abertura de uma formação sobre Tráfico de Seres Humanos e Imigração Ilegal.

O magistrado disse que a instituição está a trabalhar não só com as autoridades angolanas, mas também com a dos países de destino dessas crianças e mais tarde estará em condições de dar mais informações, acrescentando que, maioritariamente, as crianças têm a Europa como destino.

João Maria de Sousa disse que o caso é recente, sem precisar a data, e decorre de um alerta dado pela Embaixada de França em Angola.

“Nós engajámo-nos nas investigações e conseguiu-se fazer regressar da França uma criança, que havia sido levada através da falsificação de documentos, infelizmente não tinha ido só uma criança, tinham ido três, e nós continuamos a trabalhar neste caso, mas há outros processos a serem tratados”, informou.

João Maria de Sousa frisou que existem casos de servidão, de exploração ilícita de crianças e não só, como de adultos em determinados tipos de trabalhos, mas em números não elevados, que, contudo, “não deixam de causar preocupação”.

“Famílias, pessoas de má-fé há que se aproveitam e fazem promessas no sentido de levarem determinadas crianças para o exterior do país a fim de apoiá-las, com estudo, o que na verdade não corresponde”, disse João Maria de Sousa.

Exemplificou por outro lado, o uso de crianças para serviços remunerados e de adultos, em situação de imigrantes ilegais, que assim encontram alguma protecção, prestando serviços por outra.

Apontou igualmente a situação de lojas em quase todos os bairros, cujos detentores são estrangeiros, utilizando alvarás de outras pessoas o que considerou ilegal, havendo casos em que esses comerciantes nem sequer têm uma conta bancária, o que pressupõe existência de branqueamento de capitais. (ANGOP)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA