Pequim avalia os projectos para linha de financiamento

Presidente da China, Xi Jinping (REUTERS/Edgar Su)

A China agendou para o final deste mês um encontro com os países africanos para avaliar os programas que vão beneficiar do financiamento de 60 mil milhões de dólares anunciados pelo Presidente Xi Jinping, em Dezembro passado, em Joanesburgo, durante a cimeira que contou com a presença do Chefe de Estado angolano.

De acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, o assunto foi analisado num encontro dos membros do conselho directivo da instituição, orientado pelo ministro Georges Chikoti. O documento indica que, no quadro da preparação da segunda sessão da comissão orientadora Angola-China, uma delegação chefiada pela secretária de Estado da Cooperação, Ângela Bragança, esteve de 14 a 16 de Junho em Pequim a analisar a contribuição de Angola para a implementação dos programas no quadro do financiamento disponibilizado durante a cimeira China-África.

Na altura, o Presidente Xi Jinping afirmou que a China colocava o referido montante à disposição de África para projectos de desenvolvimento. O ministro das Finanças, Armando Manuel, que integrou a delegação angolana à cimeira, explicou que cerca de cinco mil milhões de dólares seriam doados aos países africanos e 35 mil milhões eram recursos de créditos preferenciais.

“O Presidente Xi Jinping apresentou uma estratégia muito bem precisa para responder a aspectos ligados às infra-estruturas, capital humano e dos recursos financeiros, que sempre são escassos”, afirmou na altura o ministro, explicando que o crédito disponibilizado era “de âmbito continental e não incluía acções espontâneas da banca comercial chinesa”.

O ministro disse ainda que o Presidente chinês seguia com atenção a transferência de tecnologia e recursos industriais da China para as economias africanas, prevendo que em quatro anos se assista a um crescimento de 100 por cento dos fluxos actuais do comércio.
“Isto em certa parte é fruto da injecção que poderemos assistir em termos do investimento estrangeiro chinês em África”, acrescentou o ministro. Segundo ele, os recursos financeiros disponibilizados pelos chineses incidem na agricultura, mineração, indústria e formação de recursos humanos. Armando Manuel lembrou que existe uma plataforma de relacionamento entre a África e a China, de que Angola beneficia, no quadro das relações bilaterais.

Interesse da Itália

Durante a reunião dos membros do conselho directivo do Ministério das Relações Exteriores, foram também analisados os resultados da Conferência Internacional Itália-África, tendo sido considerado vantajoso e de grande interesse manter uma cooperação forte a nível multilateral e bilateral.

Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, que participou na conferência, disse ter notado grande entrosamento nas sessões de trabalho, numa demonstração de que começa a surgir um novo modelo de cooperação entre a Europa e os países africanos.

O chefe da diplomacia informou os membros do conselho que Angola aproveitou a oportunidade para convidar o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano a visitar o país no segundo semestre deste ano, no âmbito da celebração dos 40 anos de relações diplomáticas.

Outro assunto abordado tem a ver com a conferência entre os países nórdicos e da África Austral, realizada em Oslo, capital da Noruega. De acordo com o comunicado, o ministro Georges Chikoti afirmou que os países nórdicos querem tratar com os africanos questões de interesse comum de forma directa, sem interferência nos problemas internos, mas cooperar, sobretudo, em matérias de direitos humanos e democracia.

A situação nos Grandes Lagos também mereceu a atenção dos membros do conselho directivo do Ministério das Relações Exteriores, principalmente a cimeira dos Chefes de Estado e de Governo realizada recentemente em Luanda e que analisou a situação na República Democrática do Congo e no Burundi. (Jornal de Angola)

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