Pão é alimento de luxo em Angola

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O preço do pão não para de aumentar em Angola e a escassez de farinha de trigo no país está a pôr panificadoras em risco de falência. O pão tornou-se um alimento só para os mais ricos?

Nos dias que correm, nem todas as famílias podem contar com pão na mesa ao pequeno-almoço. O pão tornou-se um alimento de luxo para os angolanos.

Um pão pequeno, que antes custava 10 kwanzas (cerca de 0,5 euros), é agora vendido entre 30 e 50 kwanzas (entre 0,15 e 0,30 euros). Já o pão maior, que antes custava 30 kwanzas (cerca de 0,15 euros), chega agora aos 100 kwanzas (cerca de 0,54 euros).

São valores que pesam na carteira das famílias numerosas, que chegam a ter apenas uma ou duas refeições por dia devido às dificuldades financeiras.

Em conversa com a DW África, alguns luandenses reclamam do aumento desordenado do preço do pão – sobretudo numa altura em que outros produtos da cesta básica também não param de subir.

“Os nossos filhos estão habituados ao pão. Os meninos de outras províncias até podem aplaudir, mas os nossos filhos daqui de Luanda só querem o pão. Se lhes der o arroz que sobrou do jantar, eles negam”, conta Paula Nzuzi.

À beira da falência

Por causa da escassez de farinha de trigo, muitas padarias já não conseguem responder à procura. Há panificadoras prestes a entrar em falência.

Angelina Inácio, proprietária de uma panificadora em Luanda, já não produz pães nem bolos há quase dois meses. Viu-se forçada a comprar pão a um preço muito alto no mercado informal, que agora revende.

“Estou a vender o pão a 35 kwanzas (cerca de 0,20 euros) mas tenho muita pena de quem vai comprar, porque eles acham o pão muito caro”, explica Angelina, que diz não ter “como vender o pão mais barato”.

Shekinah Abdul, da Eritreia, tem duas padarias nos municípios de Belas e do Cazenga, onde trabalham cerca de 50 angolanos. O empresário não poupa críticas aos armazéns e às vendedoras do mercado informal. E fala em “máfia” na compra de farinha de trigo.

“Não estamos a conseguir a farinha porque eles [só] dão oportunidades às senhoras dos mercados. E elas estão a vender muito caro”, afirma Abdul. O empresário considera ainda que os armazéns devem “dar prioridade às padarias porque são as que alimentam as famílias”.

Como combater especulação?

Zidane Mohamed, gerente de um armazém em Luanda, já tem essa política em andamento. “Estamos a dar prioridade às padarias e só aquelas que têm o imposto de 2016 regularizado”, explica, acrescentando que assim evita a especulação.

“Temos muito trigo no porto de Luanda que vai chegar para todos os que estão aqui. Mas quem não paga imposto não vai comprar”, admite.

O pão também é um dos elementos na lista dos mais de 30 produtos com “preços vigiados” elaborada pelo Governo angolano. Mas, ainda assim, continua a ser muito caro.

O preço do pão poderá baixar no final de Agosto, segundo as previsões do presidente do conselho de administração do Entreposto Aduaneiro de Angola. Jofre Van-Dunem Júnior anunciou que, nessa altura, o país deverá receber uma quantidade de farinha que poderá reduzir a especulação. (DW)

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