No xadrez da Lava Jato, Lula vira réu pela primeira vez por tentar obstruir investigação

Lula, em uma foto de junho deste ano. (YASUYOSHI CHIBA AFP)

Um dia depois de o ex-presidente ir à ONU denunciar supostas violações do juiz Sérgio Moro, Justiça acata denúncia contra ele e mais seis pessoas.

O ex-presidente Lula se tornou réu pela primeira vez nesta sexta-feira, no âmbito da investigação da Lava Jato. A Justiça Federal do Distrito Federal acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de que Lula, o ex-senador Delcídio do Amaral, Diogo Ferreira (ex-chefe de gabinete de Delcídio), o banqueiro André Esteves, o advogado Edson Ribeiro, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai estariam tentando obstruir as investigações da Operação Lava Jato. O grupo teria tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que se tornou delator do esquema de corrupção na estatal. A decisão da Justiça acontece um dia depois de o ex-presidente entrar com uma denúncia na ONU contra o juiz Sérgio Moro e os supostos abusos de poder na condução da Lava Jato.

A acusação de que Lula tentava obstruir as investigações foi apresentada ao Supremo pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no início do ano, com base na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral. Na época, o caso tramitava no STF porque Delcídio ainda era senador e, portanto, tinha foro privilegiado, só podendo ser julgado no Supremo. Porém, após ser cassado, em maio, Delcídio perdeu o foro privilegiado e o Supremo enviou o caso para a Justiça de Brasília, para que fosse julgado em primeira instância. Com isso, o Ministério Público Federal foi acionado e precisou confirmar a acusação, o que ocorreu na semana passada.

Segundo a denúncia, Lula foi o dirigente da atividade criminosa que tentou comprar a delação de Cerveró. O ex-presidente “impediu e ou embaraçou investigação criminal que envolve organização criminosa, ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Bumlai, e Maurício de Barros Bumlai”.

O ex-presidente também tem outros dois processos na Justiça: é acusado de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras – a reforma de um sítio em Atibaia e de um tríplex no Guarujá – como contrapartida por contratos obtidos durante seu Governo. Ele também é suspeito de tentar se proteger da Justiça tentando virar ministro da Casa Civil do Governo Dilma Rousseff.

Na tarde desta sexta-feira, logo após a publicação desta notícia, Lula participava do Seminário Nacional do Sistema Financeiro e Sociedade, promovido pela CUT em São Paulo. Ele disse que acabara de saber do ocorrido. “Eu já cansei”, disse o ex-presidente. “Eu não tenho que provar que eu tenho apartamento. Eles é que tem que apresentar documentos de compra, algum contrato assinado”, afirmou, se referindo à outra acusação. (El Pais)

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