MPinda Simão no Dia Mundial da População: “A gravidez e o casamento precoces afectam adolescentes dos 10 aos 14 anos”

O ministro da Educação MPinda Simão, visitando a Feira da Juventude, na companhia de Florbela Fernandes, do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP). (Foto: Hotália Almeida)
A representante do FNUAP, Florbela Fernandes, o Secretário de Estado dos Desportos, Albino da Conceição e o ministro da Educação MPinda Simão, em visita à Feira da Juventude. (Foto: Hotália Almeida)
A representante do FNUAP, Florbela Fernandes, o Secretário de Estado dos Desportos, Albino da Conceição e o ministro da Educação MPinda Simão, em visita à Feira da Juventude. (Foto: Hotália Almeida)

O ministro da Educação MPinda Simão fez uma declaração no Dia Mundial da População, que se comemora anualmente a 11 de Julho, que remete o país para a reflexão, ao admitir a existência de adolescentes dos 10 aos 14 anos que engravidam de forma precoce. Trata-se de uma questão que tem sido aflorada pelas demais autoridades nacionais e internacionais, caso do Fundo das Nações Unidas para a População  que participa em programas, destinados a apoiar famílias do meio rural, que vivem este fenómeno, de forma particular.

O ministro MPinda Simão, que discursava em nome do Executivo angolano,  advogou na sua alocução que a situação “compromete a prossecução dos estudos e a inserção dos adolescentes na sociedade”, defendendo soluções inspiradas na tese do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, de que “a Juventude é sem dúvida, o maior factor de desenvolvimento do país”, devendo ser inserida “no processo de transformações económicas e sociais em curso para melhorar a qualidade de vida e garantir também o futuro das gerações vindouras”.

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Olhando para aquilo que se passa à nossa volta, o ministro considerou que “assistimos hoje no mundo, situações relacionadas com conflitos entre países, violência e crimes de vária ordem, conjugado com as alterações climáticas” que  “são responsáveis por grande parte das crises  humanitárias”. Segundo o titular da pasta da Educação,  “o  Secretário Geral das Nações Unidas faz menção à existência de 130 milhões de pessoas que precisam de ajuda para sobreviver. Um número superior, que representa uma parte significativa de cidadãos ao que se registou depois da Guerra Mundial”.

(Foto: Hotália Almeida)
(Foto: Hotália Almeida)

Segundo MPinda Simão, “os dados do último censo realizado em 2014, indicam que somos 25 milhões 789 mil e 24 habitantes dos quais 65% está entre os 0 e 24 anos. Em que mais de metade são raparigas. Isso significa que a população é extremamente jovem e maioritariamente feminina”.

Uma ideia de Imobilismo. (Foto: Hotália Almeida)
Uma ideia de Imobilismo.
(Foto: Hotália Almeida)

O ministro adiantou “que os dados do censo revelam ainda  que a taxa de desemprego é de 24% e que 38% do agregado familiar é chefiado por mulheres”. “Outra informação importante – precisa o ministro -, revelada pelo censo, é que 60% da população angolana vive no meio urbano2 -,  37% da mesma, vivendo no meio rural, em situação de  pobreza. “Logo há necessidade de se incentivar o aumento da produção e a criação de condições que valorizem, a participação de toda a população no combate à pobreza”.

“Como me referi anteriormente – frisou – a população angolana é maioritariamente jovem de acordo com o que disse o Presidente da República, engº José Eduardo dos Santos. E esta feira que está a ser promovida hoje é apenas um exemplo do que se tem feito em prol da Juventude”.

Pormenor de produtos para Escuteiros (Foto: Hotália Almeida)
Pormenor de produtos para Escuteiros
(Foto: Hotália Almeida)

“Outra característica importante da nossa população prende-se com a questão do género. A desigualdade do género é reconhecida como um factor de perpetuação do subdesenvolvimento e da pobreza. Aliás, como reconhece a União Africana em 2016, é o ano dos Direitos Humanos e em particular dos Direitos da mulher. Por esta razão os Governos devem reconhecer que a igualdade do género e o empoderamento das mulheres em especial, a jovem rapariga, através da educação, formação técnico-profissional, a educação, a alfabetização, o acesso à saúde, o acesso à terra, às novas tecnologias e o acesso ao microcrédito são fundamentais para o desenvolvimento sustentável”.

(Foto: Hotália Almeida)
(Foto: Hotália Almeida)

MPinda Simão, revelou que “a nível dos direitos sociais podemos destacar a importância de se apostar na educação inclusiva” para assegurar, entre outros aspectos, “a educação sexual reprodutiva” para deste modo “reduzir-se a taxa de mortalidade materno infantil que no nosso país ainda é um desafio”.

“Outra questão que tem merecido a atenção do Executivo tem a haver com a gravidez e o casamento precoces, que constituem  práticas culturais, que afectam as raparigas e comprometem a prossecução dos seus estudos, sobretudo, porque essas práticas acontecem com adolescentes dos 10 aos 14 anos de idade”.

(Foto: Hotália Almeida)
(Foto: Hotália Almeida)

O número elevado de adolescentes grávidas e sujeitas “aos casamentos precoces forçam as meninas a assumirem outras responsabilidades, para as quais  não estão fisica e psicologicamente preparadas” – disse o ministro.

O evento contou ainda com as honrosas presenças do Secretário de Estado dos Desportos, Albino da Conceição, que representou o titular da pasta, Gonçalves Muandumba, a representante do Fundo das Nações Unidas para a População, Florbela Fernandes, membros do Ministério da Família e Promoção da Mulher, Governo Provincial de Luanda, do Instituto Angolano da Juventude, que tornaram o Auditório da Galeria dos Desportos, bastante pequeno para os convidados que compareceram em massa no local.

A Feira da Juventude realizou-se no recinto exterior da Galeria, provando iniciativas de relevo, por parte dos jovens e encorajando as autoridades a dedicarem-se na criação de melhores condições para que os jovens dêem largas à sua criatividade.

(Hotália Almeida/Portal de Angola)

 

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