Moçambique: Albinos em Inhambane vivem com medo

Albinos (DR)

Os albinos em Inhambane vivem com medo de serem raptados e mortos, para que os seus órgãos sejam retirados. Os curandeiros afirmam não serem responsáveis pelos crimes e o Governo moçambicano diz estar a par da situação.

Crenças que atribuem poderes mágicos aos albinos fomentam o mercado negro onde são vendidas partes dos seus corpos. Muitos são mortos, outros são mutilados.

Hugo Firmino, jornalista e presidente da Associação Amor à Vida, na província de Inhambane, o seu filho de cinco anos e a sua irmã sofrem de albinismo. Com este diagnóstico, vivem constantemente em perigo.

“Hoje vemos situações de pessoas que vivem em comunidades só de albinos e com proteção da polícia. Nós não queremos isso, queremos viver livres”, desabafa Hugo. “Reina um clima de medo no seio das pessoas portadoras de albinismo, aqui em Moçambique. Nós queremos que o nosso único inimigo seja o sol e não o nosso vizinho, primo ou outras pessoas que um dia podem levar-me e vender-me. Hoje tenho dificuldades em aceitar que um desconhecido entre em minha casa”.

Sérgio Francisco, que também tem problemas de pele, diz que não vive tranquilo. “Porque todo o tempo nós, albinos, somos pessoas que dizem ser a fortuna de alguém”.

Superstições aumentam raptos de albinos

Os raptos de albinos estão ligados a uma superstição fomentada por alguns comerciantes e curandeiros que dizem que os albinos têm poderes mágicos e que os seus ossos podem ser utilizados na confeção de remédios especiais para curar várias doenças.

Ruben Vilankulo, coordenador da Associação dos Médicos Tradicionais (AMETRAMO) na região sul de Moçambique, diz que “na AMETRAMO não existe nenhum praticante de medicina tradicional a usar ossos, sangue nem nada de obscuro. Nós apenas usamos ervas quando fazemos o nosso trabalho, não existe a prática de usar órgãos humanos para tratamentos. Não confirmamos isso e é uma afirmação falsa”.

Em Moçambique, já foram mortas mais de 100 pessoas com albinismo e alguns criminosos já foram responsabilizados pelos crimes cometidos contra albinos.

“O Governo não está alheio a esta situação de raptar, traficar, matar e extrair órgãos ou partes do corpo de cidadãos albinos em troca de riqueza, sucesso no trabalho e outras finalidades obscuras”, afirma Daniel Chapo, governador de Inhambane.

“[Isso] traz cada dia mais mais pobreza, luto nas famílias e nas comunidades ao nível da nossa província de Inhambane. A riqueza e o sucesso no trabalho só podem ser conseguidos com dedicação e foco nos resultados”. (DW)

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