Mário António Fernandes de Oliveira

Mário António Fernandes de Oliveira (centro) (ultramar.terraweb.biz)

Mário António Fernandes de Oliveira, nome completo de Mário António, nasceu em Maquela do Zombo, (Uíge) a 5 de Abril de 1934 e faleceu em Lisboa a 7 de Fevereiro de 1989. Desde criança que vivia em Luanda, onde fez os seus estudos primários e secundários. Trabalhou como metereologista. Em 1963 foi viver para Portugal, onde permaneceu até morrer. Licenciou-se em Ciências Sociais e Política Ultramarina e doutorou-se em 1987 em Estudos Portugueses (Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa).
Foi professor auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, director do Serviço para a Cooperação com os Novos Estados Africanos, da Fundação Calouste Gulbenkian e presidente da Secção de Literatura da Sociedade de Geografia de Lisboa.

“Eu não sei quando é que comecei a poetar, mas acho que foi principalmente o meio do liceu que me suscitou os primeiros versos. São versos que eu escrevi para colegas ” e quando digo colegas não estou a pormenorizar raparigas ou rapazes, porquanto me lembro…, de ter escrito quadras aquando da despedida do Professor de Moral, P.e Reis Lima, tinha 11 ou 12 anos, era muito jovem.” Extracto da entrevista de Mário António a Michel Laban. In: Mário António F. Oliveira. Reler África. Coimbra, Instituto de Antroplogia/Universidade de Coimbra, 1990, p.519.

Foi activista político, ligado à criação do Partido Comunista de Angola (PCA) e do Partido de Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA), conjuntamente com Viriato da Cruz, António Jacinto e Ilídio Machado. Por repressão da polícia política abandonou as actividades políticas.

Pertenceu à geração “Mensagem”, colaborou com diversos publicações em Angola, Portugal e outros países, como Mensagem (ANANGOLA), Mensagem (CEI), Cultura (I) e (II), Jornal de Luanda, A Província de Luanda, Boletim da Câmara Municipal de Luanda, O Brado Africano, Itinerário, Colóquio, Ultramar, etc. Figura na maioria das antologias de poesia e prosa africanas. Foi vencedor de diversos prémios literários.

Obra poética:

Poesias, 1956, Lisboa, e. a.;
Poemas & Canto Miúdo, 1961, Sá da Bandeira, Coleção Imbondeiro;
Chingufo, 1962, Lisboa,
100 Poemas, 1963, Luanda, Ed. ABC;
Era Tempo de Poesia, 1966, Sá da Bandeira, Coleção Imbondeiro;
Rosto de Europa, 1968, Braga, Ed. Pax;
Coração Transplantado, 1970, Braga, Ed. Pax;
Afonso, o Africano, 1980, Braga, Ed. Pax;
50 Anos – 50 Poemas, 1988, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda;
Obra Poética (inclui todos os livros anteriores), 1999, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

Poeta, contista, ensaísta e historiador, a sua obra pode ser agrupada em poesia, ensaio e investigação. Entre as suas obras publicadas podemos encontrar: Poesias, (1956), Amor (1960), Poemas & Canto Miúdo (1960), Chingufo. Poemas Angolanos (1961) 100 Poemas (1963), Mahezu (1966), Era Tempo de Poesia (1966), Rosto de Europa (1968), Coração Transplantado (1970), Lusíadas (1978), Afonso, o Africano (1980), 50 Anos, 50 Poemas (1988), Cinquentão (1988); Gente para Romance: Álvaro, Lígia, António (1961), Crónica de uma cidade estranha (1964; 1978), Farra de fim-de-semana (1965), A Sociedade Angolana do fim do século XIX e um seu escritor (1961), Colaborações Angolanas no «Almanaque de Lembranças, 1851-1900» (1966), Luanda – Ilha Crioula (1968), Angolana. Documentação sobre Angola, I, 1783-1883 (1968), O Primeiro Livro de Poemas publicado na África Portuguesa (1970),Angolana. Documentação sobre Angola, II 1882-1887 (1971), Para uma Perspectiva Crioula da Literatura Angolana: o «Repositório de Coisas Angolanas» de J.D. Cordeiro da Matta (1974), A Descolonização Portuguesa. Aproximação a um Estudo I e II (1979 e 1982), Alguns aspectos da administração de Angola em épocas de reforma, 1834-1851 (1981), A Formação da Literatura Angolana, 1851-1950 (1987) Reler África (1990).

Francisco Soares escrevia a propósito da obra de Mário António: “Em nossa opinião, a poesia escrita por Mário António – que hoje alguns dos seus inimigos de ontem reconhecem como das de maior qualidade que em Angola se escreveram – é, pelo contrário, muito consciente de uma hipótese fundada numa vivência própria, que vai refigurando nas palavras: a dos de Angola, ilhados entre a dupla matriz africana e euro-americana que, sozinhos, superaram por um processo transculturador, universalizante e personalizado… a lírica de Mário António comporá, portanto, uma colmeia de palavras colorida e metafórica, mas concisa, alicerçada no «maior rigor da construção poética». In: Francisco Soares. Notícia da Literatura Angolana. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001, p.198, 204.

A ler: A-Formacao-da-Literatura-Angolana

(Ueangola)

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