Manifestação em Istambul a favor da democracia

(RFI)

Manifestação gigantesca, este domingo, em Istambul, a favor da democracia pedindo ao presidente turco, Erdogan, para respeitar as liberdades públicas e não torturar e julgar com punho de ferro autores do recente golpe de estado falhado.

Os turcos desceram em massa este domingo, 24 de Julho, à praça de Taksim, de Istambul, para manifestarem a favor da democracia e contra métodos autoritários do Presidente, Erdogan, vítima de um recente golpe militar, e que lançou uma caça às bruxas, contra militares, magistrados e membros diversos da sociedade civil.

Os turcos responderam ao apelo lançado pelo partido republicano do povo, principal força da oposição, mas com a participação de outros partidos, como o AKP, o próprio partido da justiça e do desenvolvimento, do presidente Erdogan, sem falar em representantes da sociedade civil.

Esta grande manifestação de Istambul surge 8 dias depois do golpe de estado abortado, de 15 de Julho, com o presidente Erdogan, que saiu ileso, a lançar uma purga generalizada contra altas patentes, juízes e magistrados, organizações dos direitos humanos, nos ministérios, enfim, em todo o lugar onde ele pensa que tenha havido alguma colaboração com os golpistas.

Centenas de pessoas foram presas e estão a ser torturadas e o Presidente turco, Erdogan, prometeu rever o código penal para reinstalar a pena de morte contra os golpistas.

Aliás, logo na sua primeira reacção, quando viu que já tinha ganho a batalha com o apoio de metade do exército e do povo, que ele pôs nas ruas, pedindo a cabeça dos generais golpistas, ele disse que seria “implacável” com aqueles que o quiseram matar.

Implacável tem sido o chefe de estado turco, Erdogan, que reagiu igualmente, com desprezo às críticas da União europeia, que o aconselhou a respeitar as liberdades individuais, se ele quer que a Turquia, entre na organização, sublinhando ele, numa entrevista à televisão francesa internacional, France 24, que o que dizem os responsáveis europeus “não interessa para nada e que não lhes dá ouvidos”.

E mais: Erdogan, dirigiu a sua ira para os Estados Unidos, recordando que a Turquia é membro da NATO, e que o instigador desse golpe de estado, reside naquele país e chama-se Fethullah Gllen, seu opositor e chefe religioso muçulmano.

Conclusão: Erdogan, está a pedir aos americanos a cabeça do religioso muçulmano, precisamente? numa altura de choque das civilizações e em que os Estados Unidos e outros países ocidentais, como a França, são alvos de atentados terroristas de muçulmanos jiadistas.

Erdogan, coloca-se assim, como o gigante de ferro, entre o mundo ocidental e o mundo oriental muçulmano, capaz de ajudar os dois mundos, sendo implacável com golpistas e com radicais do Islão e do Jiadismo.

Aliás, recordou ainda à União europeia, à França e aos Estados unidos, que o seu próprio país, é atacado pelos jiadistas e que o golpe militar aconteceu dias depois do atentado terrorista do aeroporto de Istambul.

Sobre esta manifestação de Istambul, a Geopolítica da Turquia, Síria e seus aliados, como a Rússia e o Irão, o Ocidente e o terror do Daesh ou Estado islâmico, a análise fina de Ivo Sobral, especialista português de Relações Internacionais, Geoestratégica e Terrorismo. (RFI)

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