ISS e Glass Lewis recomendam voto a favor da desblindagem no BPI

(Foto: D.R.)

As empresas argumentam que sem a desblindagem na assembleia-geral de dia 22 “será improvável que o BPI resolva o seus riscos de concentração em Angola e torne novamente rentável a sua actividade doméstica”.

As empresas de aconselhamento Institutional Shareholder Services (ISS) e Glass Lewis & Co. recomendaram aos accionistas do BPI que aprovem a desblindagem dos estatutos do banco que limitam os direitos de voto dos accionistas e impedem os catalães do CaixaBank de controlarem a instituição.

A notícia é avançada pela Bloomberg, que cita relatórios das duas empresas. “A proposta pode ser uma opção razoável para alguns accionistas, embora possa gerar menor liquidez”, refere o relatório da ISS, que avisa ainda que sem essa alteração “será improvável que o BPI resolva o seus riscos de concentração em Angola e torne novamente rentável a sua actividade doméstica.”

A ISS diz ainda que Isabel dos Santos usou os seus direitos de voto no passado para “frustrar propostas da administração, conduzindo a empresa e os seus accionistas a um impasse que não beneficia os minoritários.” Já a Glass Lewis refere que a “remoção de obstáculos a ofertas em aberto, seja agora ou no futuro, vai ao encontro dos interesses dos accionistas.”

O banco vota na próxima sexta-feira, 22 de Julho, a eliminação dos limites de voto dos accionistas a 20%. Embora tenha 45% do BPI, o CaixaBank não pode votar com mais do que 20%, tendo lançado em Abril deste ano nova oferta pública de aquisição sobre a instituição liderada por Fernando Ulrich com um preço de 1,113 euros por título, para responder ao fracasso do acordo do grupo catalão e Isabel dos Santos (com 18,6% do banco) para reduzir a exposição do BPI a Angola.

Uma exigência de redução de exposição feita pelo Banco Central Europeu que tinha prazo até 10 de Abril para ser resolvida e cuja contra-ordenação por não se ter verificado foi entretanto suspensa pela autoridade monetária.

Esta semana, em declarações ao Negócios, Tiago Violas Ferreira, administrador da Holding Violas Ferreira (HVF) o maior accionista português do BPI, defendeu que a fusão entre o Banco de Fomento Angola (BFA), controlado pelo BPI, e o Banco Caixa Geral Angola (BCGA) é  a melhor solução para resolver o problema angolano da instituição.

Para que tal aconteça, defendeu, é necessário afastar a OPA dos catalães, que Violas diz que “destrói valor (…) beneficia o CaixaBank e prejudica os restantes accionistas.”

Esta semana também, um research do banco Haitong apontava para um “preço justo” de um euro por título do BPI caso a OPA dos catalães ficasse pelo caminho. Os papéis do BPI encerraram a sessão desta sexta-feira a valorizar 1,17% para 1,13 euros. (jornaldenegocios)

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