Hospital Militar atende mais de 600 casos de diabéticos/mês

(Foto: D.R.)

O país ainda não fez um estudo sobre a prevalência da doença, mas a sociedade angolana de diabetes diz que 4,7 % da população vive com essa patologia. Arranca hoje, em Luanda, o primeiro Congresso de Diabetes.

Hospital Militar de Luanda atende, em média, 600 pessoas por mês padecendo de diabetes. A revelação foi feita a OPAÍS pela coordenadora desta unidade sanitária, a médica Sabrina Coelho da Cruz, à margem do primeiro Congresso sobre a diabetes que arranca hoje em Luanda. De acordo com Sabrina Cruz, os quatro médicos especialistas deste hospital atendem, em média, 50 pacientes por semana, sendo o grosso destes jovens em idade produtiva e reprodutiva, portanto entre os 20 e os 60 anos.

Os comportamentos sedentários, como são os casos da falta de exercício físico, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e a alimentação pouco saudável estão na base do problema. Angola nunca fez um estudo da prevalência da diabetes nas 18 províncias do país. Entretanto, dados da Associação Angolana das Diabetes revelam que cerca de 4, 7% do total da população angolana vive com a doença.

Sabrina Cruz acredita que os números de outras unidades sanitárias não diferem muito dos que se tem registado no Hospital Militar. Por esta razão, a responsável diz não ter dúvidas de que a doença constitui já um problema de saúde pública, mas enfatiza que a realização de um estudo em todo o país pode comprovar a gravidade da doença. Os factores de risco são elevados e a interlocutora adverte que a melhor forma de combater a doença é a prevenção, já que ela aparece normalmente acompanhada de outras doenças, como é o caso da hipertensão e de doenças cancerígenas.

“Isso é muito grave e há que se fazer alguma coisa. Recebo nas consultas cerca 50 pessoas por semana, na sua maioria jovens em idade produtiva”, observou, acrescentando que muitos não têm conhecimento que vivem com a patologia. Os custos na compra de medicamentos e a falta de um acompanhamento são outras das grandes preocupações dos especialistas, que alertam que tais situações têm concorrido para o registo de complicações crónicas como as cegueiras, as amputações de membros e os problemas prematuros do coração.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta uma prevalência de 9,6% em relação a África, com a previsão para um aumento de 11, 9% nos próximos 15 a 20 anos. Segundo a organização, a doença afecta cerca de 350 milhões de pessoas no mundo.

Associação adormecida Em Angola

existe desde 2008 uma associação de luta e apoio aos doentes com diabetes. No entanto, vive amorfa por falta de uma sede para realizar as suas actividades e as suas acções são praticamente invisíveis. Há neste momento mil e 872 membros, mas por ser pouco conhecida e por dificuldades de ordem financeira, a associação não consegue dar resposta às exigências que lhe são apresentadas pelos filiados.

“Agir hoje para Prevenir Amanhã”

agirSob o lema “Agir hoje para Prevenir Amanhã”, tem início nesta Sexta-feira, 8, o primeiro Congresso de Diabetes de Angola, onde, além dos médicos angolanos, participam especialistas de países estrangeiros, como são os casos de Portugal, Cuba e Camarões.

A escolha do slogan é justificada por ser uma forma de incentivar a formação do pessoal médico para que os casos de diabetes sejam detectados a partir das unidades sanitárias periféricas, antes de chegarem aos centros de referência, razão pela qual o primeiro dia dos trabalhos é dedicado a um seminário de formação dos técnicos de saúde. (opais)

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