Hélder Barros: “Já chega dos conflitos que têm prevalecido ao longo destas décadas”

Hélder Barros, candidato às eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe (DW)

A campanha eleitoral para as eleições presidenciais em São Tomé e Princípe entra em contagem decrescente. Hélder Barros é um dos cinco candidatos às eleições, que se irão realizar no dia 17 de julho.

Antigo alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU), Hélder Barros tenta chegar ao Palácio do Povo pela segunda vez consecutiva, depois de ter concorrido nas eleições de 2011, como independente.

“Já chega dos conflitos que têm prevalecido ao longo destas décadas de independência”, afirma o candidato. “Se nós conseguirmos ultrapassar essas divergências, que eu acho secundárias, então iremos todos juntos, numa só frente para, de facto, atacarmos os problemas que são reais e que são problemas de todos, os problemas de sub-desenvolvimento.

Para Hélder Barros, o país está abaixo do nível esperado de desenvolvimento devido à “baixa natalidade e ao problema do saneamento público”.

Reconciliar os santomenses

Caso seja eleito Presidente da República de São Tomé e Príncipe no dia 17 de julho, o antigo ministro da Coordenação Económica promete “tentar reconciliar os santomenses. Porque os santomenses, como disse há bocado estão de costas viradas. Há sempre razões, mas também é verdade que de costas viradas não evoluímos”. O candidato considera que é “necessário fazer um esforço adicional e esse esforço vale a pena, para que todos juntos possamos dar as mãos e prosseguir esse combate contra o subdesenvolvimento”.

Hélder Barros diz não trazer “uma varinha mágica”, nem crê que haja “alguém que tenha essa varinha mágica”. “Mas eu penso que é possível, acima de tudo, se conseguirmos encontrar uma base mínima de entendimento”, conclui.

É necessário fazer reformas

Um dos grandes defensores da independência do país, Hélder Barros acredita que é necessário fazer reformas em São Tomé e Princípe, sobretudo “ao nível da justiça, da administração pública e não só”.

Iniciou a sua carreira em maio de 1982, no Níger e trabalhou na ONU, entre Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, e vários países africanos, na resolução de conflitos sob mandato da organização.

“Passei os últimos 11 anos da minha vida, antes de regressar, a fazer mediação de conflitos, particularmente no Congo, um país enorme, com recursos que a gente conhece, mas com conflitos muito sangrentos”, recorda o candidato à Presidência. “Passei muitas horas, de dia e de noite, a trabalhar e a negociar com o poder e a oposição, no sentido de encontrar uma base de entendimento.”

Ainda jovem, com apenas 23 anos de idade, Hélder Barros contribuiu para a luta pela independência do arquipélago. Realizava programas radiofónicos sobre o movimento independentista a partir de Libreville, no Gabão, que eram emitidos para São Tomé e Príncipe.

Foi também ministro da Coordenação Económica, num dos Governos liderados por Evaristo de Carvalho, candidato do Ação Democrática Independente (ADI) às presidenciais. Hélder Barros é o quarto no boletim de votos. (DW)

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