Governo vai defender interesses dos portugueses no Reino Unido

(Lusa)

A liberdade de circulação de pessoas e os interesses dos portugueses no Reino Unido serão defendidos nas negociações da saída britânica da União Europeia, garantiu no sábado o deputado Paulo Pisco, numa visita a Londres.

“O governo português tem estado atento aos interesses dos portugueses no Reino Unido e na última reunião do Conselho Europeu esta questão esteve sobre a mesa de uma forma bastante expressiva: o Reino Unido não pode ter única e exclusivamente acesso ao mercado único e limitar a liberdade de circulação”, disse à agência Lusa.

Foi com esta garantia que o deputado tentou tranquilizar as cerca de 30 pessoas que assistiram a uma sessão de esclarecimento sobre o potencial impacto do Brexit, onde comparou a situação com a da Suíça, que em 2014 aprovou em referendo alterar a política de imigração.

O parlamentar lembrou que a Suíça, ao colocar em causa o acordo de livre circulação das pessoas (ALCP) com a UE, pôs em risco outros acordos, como o acesso a circulação de estudantes, o financiamento da ciência e setores como os transportes e a energia, que têm um grande impacto social e económico.

“Não há razão para pânico, ainda há muita poeira no ar”, garantiu.

No mesmo debate, organizado pelo movimento Portugueses4Europe de Stockwell, no sul de Londres, a advogada Vitória Nabas incentivou os portugueses a acautelar a sua situação.

“Não podemos ficar à espera para ver o que vai acontecer dentro de um ou dois anos para nos regularizarmos”, disse, referindo as duas alternativas: um cartão de residência permanente ou um certificado de registo de imigrante.

A primeira é para pessoas vivem há pelo menos cinco anos e podem provar que trabalharam e fizeram contribuições, garantindo assim o direito a viver e trabalhar indefinidamente no país, enquanto que a segunda opção é para aqueles com menos tempo de residência no Reino Unido.

“Ter esta documentação em ordem facilita e ajuda a combater a incerteza que estamos a viver”, vincou.

No evento estiveram ainda a contabilista Anna Miranda, que advertiu para a necessidade de os portugueses se prepararem financeiramente para uma crise económica devido ao Brexit, e o inspetor-chefe da polícia de Lambeth Roy Smith, que apelou à denúncia de possíveis abusos ou ataques racistas.

“Não foi registado um aumento invulgar de queixas de crimes de ódio, mas prometemos fazer tudo ao nosso alcance para investigar casos que sejam denunciados”, afirmou.

Vários dos presentes aplaudiram a iniciativa, como Joaquina Oliveira, aposentada, que mostrou pouca vontade de pedir o cartão de residência.

“Não sei se valerá a pena o custo e a burocracia. Na minha idade não vale a pena. Ando entre cá e lá, mas se as coisas se complicarem volto de vez para Portugal”, confiou à Lusa.

João Ribeiro, profissional de vendas, quis “confirmar com os profissionais” os seus direitos e ficou a saber que não pode ainda pedir o certificado de residência permanente por só estar há dois anos no Reino Unido.

Cristina Barbosa confessou uma “sensação de tristeza” por o resultado do referendo a ter feito sentir menos vinda no país onde há vive há 11 anos.

Por enquanto, não pensa enfrentar a burocracia de pedir cartão de residência, até porque adivinha um bloqueio dos serviços administrativos britânicos.

“Não acredito que nos mandem embora”, afirmou.

Artur Pinto, que está há menos de cinco anos no Reino Unido, pretende começar já a tratar da residência permanente.

“Vou ter de dar andamento ao processo para nos integrarmos o mais possível com eles porque eu sinto que eles precisam de nós. Vamos apostar em ficar cá e fazer o nosso futuro cá”, garantiu.

No final, o eleito local Guilherme Rosa, um dos organizadores do evento, saudou os bons resultados e mostrou-se esperançado na utilidade de uma página de internet de informação, a lançar brevemente.

“Eu tenho 100-150 pedidos de informação. É muito difícil informar uma a uma as pessoas, por isso se as pessoas se juntarem, se vierem falar com especialistas de uma forma organizada, se se criarem ferramentas de informação digitais, é a forma de conseguirmos acompanhar tantos pedidos de informação”, justificou.

Além de um encontro com estudantes e investigadores portugueses, o deputado Paulo Pisco vai contactar nos próximos dias com empresários e outros elementos da comunidade, antes de se reunir com representantes da câmara de Lambeth, zona londrina onde vivem portugueses. (Noticias ao Minuto)

por Lusa

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