FMI: Uma “estória” muito mal contada

CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário. Director do semanário Expansão. (Foto: D.R.)

As minhas dúvidas sobre a sinceridade do pedido angolano ao FMI começaram quando o ministro das Finanças transformou um pedido de assistência financeira em um pedido de assistência técnica.

Depois da rábula do pedido de assistência técnica ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o Governo acabou por deixar cair definitivamente o Programa de Financiamento Ampliado, EFF na sigla inglesa.

Nada que me surpreenda. As minhas dúvidas sobre a sinceridade do pedido angolano começaram logo na conferência de imprensa que o ministro das Finanças convocou às pressas para explicar o pedido de Luanda a Washington.

Um ou dois dias depois de ter sido anunciado nas duas capitais que Angola havia pedido ao FMI um EFF, isto é um financiamento, no caso para ajuda á balança de pagamentos, Armando Manuel veio dizer que Angola não queria dinheiro, mas apoio técnico.

No EFF ou em outro qualquer programa o FMI empresta dinheiro e em troca pede um programa de reformas. O ministro das Finanças veio colocar a questão ao contrário: primeiro as reformas o dinheiro logo se veria.

As minhas dúvidas sobre a sinceridade do pedido angolano avolumaram- Compliance em Angola se quando me desloquei a Washington para as reuniões de Primavera da FMI e do Banco Mundial, à margem das quais deveriam iniciar-se as negociações. Posto na capital americana, a primeira coisa que constatei foi a ausência na delegação angolana do
governador do BNA que se fez substituir pelo seu (então) vice-governador
Lima Campos.

As minhas fontes ligadas às negociações disseram-me que,
afinal, as supostas negociações não passavam de encontros preliminares e Isabel dos Santos está ilegal nas que as verdadeiras negociações começariam no início de Maio quando uma delegação do FMI viajaria para Angola. Mas não só. Cautelosas, se questionadas sobre os montantes dos apoios financeiros, as fontes ressalvavam sempre “se as negociações chegarem a bom porto”.

Quando regressei a Luanda, ainda fiquei mais desconfiado sobre a sinceridade do pedido angolano, porque fiquei a saber que Angola tinha pedido o adiamento da vinda da delegação do FMI, que acabou por chegar apenas em Junho, um mês depois do previsto. Já em Luanda, o chefe da missão do FMI, Ricardo Velloso, disse a jornalistas que aguardava que Angola confirmasse o pedido de apoio.

Na semana passada num briefing com a imprensa o director de comunicação do FMI veio desfazer todas as dúvidas: Angola cancelara o pedido para um EFF. O Governo angolano remeteu- se a um silêncio ensurdecedor. Mas não devia. . Afinal o FMI não vinha para “impulsionar o processo de diversificação da economia nacional”? Se sim, porque já não vem? (expansao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA