Filme de Scorcese sobre corrupção é abalado por escândalo financeiro

O diretor americano, Martin Scorcese, em Paris, no dia 12 de outubro de 2015 (AFP)

Um pequeno estúdio de Hollywood por trás do instigante filme sobre a ganância de Wall Street foi abalado por um escândalo financeiro de biliões de dólares, relacionado ao primeiro-ministro da Malásia.

A Red Granite Pictures, que produziu “O Lobo de Wall Street”, com Leonardo Di Caprio, foi incluído nesta quarta-feira em uma denúncia federal, a qual alega que o estúdio fez parte de um esquema de lavagem de dinheiro com uma empresa de investimento e desenvolvimento chamada 1MDB.

O fundo de investimento pertence ao governo da Malásia, cujo primeiro-ministro, Najib Razak, estaria envolvido no enorme escândalo.

Razak é o padrasto de Riza Aziz, o co-fundador da Red Granite Pictures, que contribuiu com os mais de 100 milhões de dólares necessários para financiar o filme.

De acordo com a denúncia civil de 136 páginas do Departamento de Justiça dos EUA, entre Junho de 2012 e Novembro de 2012, uma firma de investimento ligada ao 1MDB enviou 238 milhões de dólares para uma conta controlada por Aziz.

Cerca de 100 milhões de dólares desses fundos foram enviados posteriormente para uma conta de banco ligada ao estúdio de produção, usada para suas operações, incluindo “O Lobo de Wall Street”.

Parte desse dinheiro também foi usada para viagens extravagantes a Las Vegas, onde milhares de dólares foram gastos em jogos no Cassino Venetian, de acordo com a denúncia.

Entre os que foram convidados a participar do passeio em Julho de 2012 estava “um ator principal de ‘O Lobo de Wall Street'” que ganhou um Globo de Ouro pelo filme, segundo a denúncia.

Embora os documentos do tribunal não tenham o nome do actor, essa é uma clara referência a Di Caprio.

O actor venceu o Globo de Ouro em 2014 por sua actuação no filme como o corretor da Bolsa de Valores Jordan Belfort, que tirou milhões de dólares de investidores antes de acabar na prisão.

O procurador-geral adjunto Leslie Caldwell disse aos repórteres na quinta-feira que todos os bens e direitos do filme seriam apreendidos por derivarem de lavagem de dinheiro.

De acordo com a comScore, o filme arrecadou 392 milhões de dólares. A produção foi indicada ao Oscar em cinco categorias – melhor director, melhor ator, melhor roteiro adaptado, melhor actor coadjuvante e melhor filme.

“Nem o 1MBD, nem os malaios, viram um centavo do lucro do filme, ou os outros activos adquiridos com fundos do 1MDB”, disse Caldwell.

“Em vez disso, esse dinheiro serviu para parentes e associados dos funcionários corruptos do 1MDB e outros”, completou o procurador.

Criada em 2010, nenhum representante da Red Granite Pictures comentou o assunto até o momento. Um porta-voz disse apenas que divulgaria uma declaração no fim do dia.

A Red Granite Pictures nega consistentemente qualquer envolvimento com o delito desde que começaram a circular notícias da investigação federal sobre o 1MDB.

Além de “O Lobo de Wall Street”, a companhia produziu vários outros filmes, incluindo “Debi & Lóide 2”, “Amaldiçoado” e “Solteiros com filhos”. (AFP)

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