Empresas aguardam por melhorias no processo de obtenção de insumos

O projecto Pérola do Kikuxi propõe-se até final de 2016 a produzir 30 milhões de ovos por mês dos 52 milhões que o país necessita para satisfazer as necessidades do consumo interno. (Foto: Vigas da Purificação)

As limitações em matéria-prima condicionam as operadoras a atingir, com rapidez, os seus resultados mas acreditam que por via dos projectos existentes alcancem as metas programadas até ao fim deste ano.

A empresa angolana Elumini que se dedica à produção de massa alimentar encontra nesta altura dificuldades na produção por falta de trigo no mercado nacional. Em entrevista ao JE, o administrador da empresa, Jean Vasconcelos, assegurou que a ideia inicial, por altura da implementação do projecto, era produzir 70 toneladas por mês, no âmbito do programa Angola Investe.

“Há sensivelmente um mês que não colocamos produtos no mercado devido às grandes dificuldades na aquisição da principal matéria-prima, por falta de divisas, o que não nos tem permitido cumprir com as metas preconizadas”, revelou.

Jean Vasconselos garantiu que há capacidade instalada e vontade de continuar a produzir, acrescentando que tão logo a situação se estabilize poder-se-á retomar a produção.

Momento oportuno

A crise económica que o país está a atravessar permite que os produtores locais ganhem consciência e o momento é oportuno para uma aposta, cada vez mais, na produção nacional, e não se olhar muito nas importações, segundo disse a empresária Elisabeth Dias dos Santos.

Em declarações recentes à Angop, a gestora que dirige a fazenda “Pérola do Kikuxi”, que se dedica à produção de ovos e frangos, realçou que como qualquer indústria que pretende elevar a sua capacidade de produção, o difícil acesso na aquisição de divisas para a obtenção da matéria-prima, bem como para o pagamento de salários, está a dificultar tais ambições.

Apesar disso, segundo ela, o projecto Pérola do Kikuxi propõe-se até final de 2016 a produzir 30 milhões de ovos por mês, dos 52 milhões que o país necessita para satisfazer as necessidades de consumo, sendo que para isso a empresa prevê no decurso deste ano construir mais três naves, para congregar 130 mil aves e duplicar a capacidade de classificação, que actualmente ronda 60 mil/hora.

O projecto foi construído numa área com 950 hectares, onde está a produzir 24 milhões de ovos/ mês, fruto de um financiamento na ordem de 50 milhões de dóla- res norte-americanos, investimento dividido entre a banca, no quadro do Angola Investe, e capitais próprios do grupo.

Abate de frangos

A fazenda possui 830 mil galinhas poedeiras, distribuídas em oito naves, que comportam 130 mil animais por cada nave. Tem ainda uma outra vertente, que é dos frangos de cortes, com 12 pavilhões que permitem atingir o abate de 100 toneladas de frangos frescos/mês.

Explicou na ocasião que os seg- mentos de produção da fazenda, que ainda não estão a ser explora- dos na totalidade devido a vários factores, fazem com que o grupo traga ao mercado interno produtos diversos de cariz nacional com qualidade internacional.

A fazenda Pérola do Kikuxi tem 450 trabalhadores, sendo 410 nacionais e os restantes 10 expatriados.

Imprimarte

O JE apurou que a gráfica Imprimarte que faz parte do grupo Cecaso, é outro dos muitos projectos que também beneficiou de um crédito de 438 milhões de kwan- zas, no âmbito do programa do Executivo Angola Investe, para a actualmente livros e revistas de vários conteúdos, incluindo escolares do primeiro ciclo de ensino.

Por seu turno, o presidente do Conselho de Administração do grupo angolano Cecaso, Carlos Cunha contactado pelo JE por telefone, sublinhou que esta não é a melhor altura para se abordar sobre os desafios que a empresa se propõe, uma vez que a situação do mercado empresarial atravessa não é animador, mas realça que os desafios são maiores.

O projecto beneficiou de um crédito de 438 milhões kwanzas, no âmbito do programa do Executivo Angola investe. A Imprimarte é uma empresa que se dedica às artes gráficas, pertencente ao grupo Cecaso, e recorre às mais recentes tecnologias de composição, impressão e acabamento disponíveis no mercado.

Aquela unidade de produção produz igualmente agendas, calendários, catálogos, cartazes, desdobráveis, dentre outros. Representa um investimento global de cerca de 12 milhões de dolares, cujas perspectivas para no ano passado apontavam para um volume de negócios de 794 milhões de kwanzas. (jornaldeeconomia)

Por: A. Xavier António

 

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA