Em livro de memórias, ex-papa Bento 16 diz que lobby gay tentou influenciar decisões no Vaticano

Ex-papa Bento 16 durante cerimônia no Vaticano. 14/02/2015 REUTERS/Tony Gentile (reuters_tickers)

O ex-papa Bento 16 diz em seu livro de memórias que ninguém o pressionou para que renunciasse, mas alega que um lobby gay no Vaticano tentou influenciar suas decisões, segundo um importante jornal italiano nesta sexta-feira.

O livro, intitulado “As Últimas Conversas”, é o primeiro caso da história em que um ex-pontífice julga seu próprio papado após seu término, e deve ser publicado no dia 9 de Setembro.

Citando motivos de saúde, Bento 16 tornou-se o primeiro papa em 600 anos a renunciar, em 2013. Ele prometeu manter-se “escondido do mundo” e está residir em um ex-convento nos jardins do Vaticano.

O jornal Corriere della Sera, que adquiriu os direitos italianos para divulgar trechos do livro, ao qual teve acesso, publicou um longo artigo nesta sexta-feira resumindo seus temas principais.

Na publicação, Bento 16 diz que tomou conhecimento da existência de um “lobby gay” composto por quatro ou cinco pessoas que procuravam influenciar as decisões do Vaticano. A reportagem diz que Bento 16 afirmou ter conseguido “desfazer esse grupo poderoso”.

Bento 16 entregou o cargo após um papado turbulento que incluiu o caso dos chamados “Vatileaks”, no qual seu mordomo vazou algumas de suas cartas pessoais e outros documentos que alegavam corrupção e uma disputa de poder no Vaticano.

À época, a mídia italiana relatou que uma facção de prelados que queriam desacreditar Bento 16 e pressioná-lo a renunciar estava por trás dos vazamentos.

A igreja católica vem mantendo sua oposição secular a actos homossexuais, mas activistas de direitos humanos vêm dizendo há tempos que muitos gays trabalham para o Vaticano, e fontes da igreja disseram suspeitar que alguns deles se uniram para apoiar suas respectivas carreiras e influir em decisões na burocracia da entidade.

Bento 16, que hoje tem o título de “papa emérito”, sempre sustentou que escolheu partir de livre e espontânea vontade, e o Corriere diz que, no livro, o religioso alemão “volta a negar chantagem ou pressão”.

Ele afirma que só informou algumas poucas pessoas sobre sua decisão de renunciar, temendo que ela fosse vazada antes de seu anúncio surpreendente no dia 11 de Fevereiro de 2013. (REUTERS)

por Philip Pullella

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