Educação financeira

JOSÉ RODRIGUES ALENTEJO director da Câmara de Comércio e Indústria de Angola (Foto: D.R.)

A execução de um plano nacional de educação financeira, sob liderança do Banco Central e envolvimento dos diversos actores do sistema financeiro, das empresas não bancárias, das instituições de defesa dos direitos dos consumidores e das famílias, resultará em ganhos, tais como: Mudanças comportamentais no domínio ético dos intervenientes no sistema financeiro, o conhecimento pela população da regulação, dos deveres de informação das instituições de crédito e a fiscalização do cumprimento das normas dos mercados bancários.

Ainda na melhoria da conduta das instituições de crédito com reflexo na relação de confiança, respeito, transparência e aumento do índice de inclusão bancária, um importante indicador de inclusão social.

Além disso, vai permitir o aumento da taxa de poupança com impacto no investimento, na criação de emprego, rendimento e melhoria dos padrões de vida, em suma trará desenvolvimento económico e social.

Permitirá igualmente avaliar o grau de literacia financeira da população e a definição de prioridades de formação financeira.

A promoção da literacia financeira contribui para potenciar os benefícios dos instrumentos de regulação da transparência e dos deveres de informação das instituições de crédito e, portanto, para o funcionamento mais eficiente dos mercados financeiros.

Os cidadãos mais informados têm capacidade de aprender melhor a informação que lhes é transmitida pelas instituições de crédito, ajudando a monitorizar os mercados.

Os cidadãos mais informados e com níveis mais elevados de formação financeira ajudam a fiscalizar os mercados e contribuem para a estabilidade do sistema financeiro ao escolherem os produtos que se adequam ao seu perfil de risco.

O crédito tem vindo a assumir um papel cada vez mais importante na vida dos consumidores. Numa sociedade, caracterizada por baixos rendimentos, o crédito é visto como a solução para ter acesso a determinados bens e por conseguinte a um nível de vida que de outra forma não seria possível atingir.

Perante esta situação, uma vez que o leque de ofertas por parte das instituições financeiras é cada vez mais alargado, torna-se imprescindível que os consumidores analisem convenientemente as diversas opções e seleccionem as mais vantajosas.

Mas será que as pessoas efectuam uma análise cuidada e minuciosa das condições do contrato de crédito e exploram as diversas hipóteses ao seu dispor?

Será que têm a correcta noção de que as condições apresentadas se adequam ao seu perfil de cliente?

Ou simplesmente, na ânsia de adquirir determinado bem, aceitam as condições apresentadas independentemente do impacto que as mesmas possam vir a ter nas suas finanças?

Estas são questões que têm assumido uma maior preponderância nos últimos tempos face ao aumento do incumprimento bancário registado e às consequências negativas que daí advêm.

Numa visão macroeconómica, a OCDE (2006) salienta que a educação financeira poderá ainda ser motor de investimento e de crescimento económico, criando um ciclo virtuoso em que cidadãos informados consomem os produtos mais vantajosos para si.

Poder-se-á esperar que deste ciclo e através de mecanismos de mercado surjam condições para a criação de produtos financeiros mais vantajosos para os cidadãos em geral.

As organizações financeiras poderão assim desempenhar um papel fundamental não só no real crescimento económico, mas também na redução da pobreza e desigualdade, através de mecanismos financiadores de actividades construtoras de riqueza.

Espero que com este exercício tenha contribuído para despertar mais interessados em abraçar uma empreitada comum por uma literacia financeira nacional. (jornaldeeconomia)

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