Durão Barroso aceitou Goldman por ser “desafio interessante e estimulante”

(Miguel Baltazar/Negócios)

Em declarações ao Expresso, o ex-presidente da Comissão Europeia responde às críticas sobre a sua ida para a Goldman Sachs. “É-se criticado por ter cão e por não ter”, disse.
A contratação de Durão Barroso – ex-presidente da Comissão Europeia – pela Goldman Sachs motivou um conjunto de críticas, em particular dos partidos mais à esquerda. Durão Barroso reagiu, em declarações ao Expresso, dizendo que já contava com as críticas: “É-se criticado por ter cão e por não ter. Se se fica na vida política é porque se vive à conta do Estado, se se vai para a vida privada é porque se está a aproveitar a experiência adquirida na política…”.

Durão Barroso acredita que ao longo do seu cargo de presidente da Comissão Europeia e depois da crise de 2008 teve de lidar e actuar muito ao nível da regulação financeira, o que lhe dá agora livre trânsito para a banca. É, pois, diz o Exprresso a experiência e a independência nessa área e a experiência em trabalhar em instituições globais e com problemas muito complexos que explicam o convite.

Aceitou, por isso, esse convite porque “depois de ter estado mais de 30 anos na política e no serviço público, este é um desafio interessante e estimulante onde posso utilizar as minhas competências e fazê-lo numa instituição financeira global”. Fá-lo, acrescenta ao Expresso, porque “gosto de posições de desafio”. É, pois, “um desafio e um reconhecimento que uma instituição desta dimensão convide um português para um cargo desta importância”. Durão Barroso, além de consultor da Goldman Sachs, vai ser presidente não executivo (“chairman”) da Goldman Sachs International, o braço europeu, sedeado na City londrino, do banco norte-americano. Foi aliás este braço que se envolveu no empréstimo ao BES, que está agora a motivar um processo em tribunal contra o Banco de Portugal.

Na sexta-feira, 8 de Julho, nas primeiras declarações a um meio de comunicação social depois de ser conhecida a sua indicação para “chairman” não executivo do Goldman Sachs International, Durão Barroso diz que vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para “mitigar os efeitos” do Brexit na actividade do banco sedeado em Londres.

“É claro que conheço bem a União Europeia, também conheço relativamente bem o ambiente do Reino Unido. (…) Se o meu aconselhamento puder ajudar nestas circunstâncias, estou pronto a ajudar, é claro”, afirmou esta sexta-feira, 8 de Julho, o antigo presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro, citado pelo Financial Times.

Já a Goldman declarou que “José Manuel [Durão Barroso ] traz imensos conhecimentos e experiência para o Goldman Sachs, incluindo uma compreensão profunda da Europa. Estamos ansiosos por trabalhar com ele, ao mesmo tempo que continuamos a ajudar os nossos clientes a navegar no ambiente económico e de mercado desafiador e incerto”, afirmaram, citados em comunicado, Michael Sherwood e Richard Gnodde, os co-CEO da Goldman Sachs International.

Mas esta contratação acabou em polémica, com o Bloco de Esquerda a ser o mais explícito.

“Termos um ex-presidente da Comissão Europeia a assumir o lugar de ‘chairman’ significa, na prática, que não há vergonha na elite europeia da qual Durão Barroso faz parte”, defendeu Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco, em declarações à Lusa, acrescentando que a “qualidade da democracia tem ainda muito caminho para fazer” no espaço europeu. O Expresso cita, por outro lado, o deputado comunista João Oliveira, declarando não ser uma surpresa, dado “o histórico de préstimos de Durão Barroso ao grande capital”.

Ao ir para a Goldman Sachs, segundo o Expresso, Durão Barroso deverá perder parte do subsídio de integração da Comissão Europeia de que tem usufruído e que chega a 40% do vencimento, ou seja, cerca de 25 mil euros mensais. (Jornal de Negocios)

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