Crise e surto de doenças pressionam ENSA

Manuel Gonçalves, PCA ENSA (DR)

A crise económica e financeira e o surto de doenças que Angola enfrenta, desde finais do de 2015, pressionaram bastante a Empresa Nacional de Seguros (ENSA), tendo em conta os serviços de seguro de saúde que presta, admitiu o presidente de conselho de administração da maior seguradora do país, Manuel Gonçalves.

O gestor afirmou nesta terça-feira, numa conversa com jornalistas, ser muito difícil haver um seguro de saúde e que talvez seja essa a razão porque não existam muitas seguradoras a suportar esse tipo de serviço.

Exemplificando, Manuel Gonçalves apontou factores como as principais causas de mortes no país, a malária e a sinistralidade rodoviária, e casos relacionados vão, na maioria das vezes, às clínicas e consequentemente às farmácias suportadas pela ENSA. Nós ocupamos mais de 50 porcento da quota do mercado de seguros”.

“Essas situações de doenças e de sinistralidade rodoviária, prosseguiu, estão associadas ao pagamento de indemnizações e ao pagamento às clínicas pela prestação de serviços”, explicou ele, precisando que a malária, dengue, chicungunya e mais a febre amarela, significaram um acréscimo significativo ao volume de indemnizações que é devido às pessoas e o pagamento às clínicas.

Em relação à crise, referiu que trouxe maiores dificuldades das pessoas pagarem os seus prémios às seguradoras, de cobrança das seguradoras e maiores dificuldades que as diversas instituições ligadas ao sistema de saúde têm para a obtenção dos bens e dos serviços necessários para o desenvolvimento das suas actividades.

Acrescentou que a crise deu lugar à escassez de divisas e provou simultaneamente maior dificuldade para a aquisição de equipamentos, de material gastável e de um conjunto de meios que são necessários para o funcionamento dos hospitais.

Diante dessa realidade, o PCA da empresa Nacional de Seguros de Angola afirmou que a solução tem sido uma melhor gestão dos serviços e produtos à disposição dos segurados, “gerindo bem o seguro de saúde, automóvel e outros”, respondeu.

“Gerir melhor significa enfrentar melhor algo que se chama fraude, que também envolve os segurados e as instituições que estão relacionadas com o assunto. É evidente que quando se controla melhor a fraude, a tendência natural das pessoas poderá ser resistência”, argumentou.

Mesmo com as diversas pressões, os negócios da ENSA no ano 2015 cresceram 17,6 porcento, atingindo um resultado positivo na ordem dos quatro biliões e 900 milhões de kwanzas. Esses montantes estão avaliados em cerca de 320 milhões de dólares norte-americanos e representam apenas 82 porcento dos objectivos traçados no ano passado.

Do total do valor arrecadado em prémios cerca de 50,06 porcento destinou-se às indemnizações paga às vítimas de sinistros em 2015.

Em relação aos seguros de saúde, de automóvel e de acidentes de trabalho a ENSA pagou 144 milhões de dólares norte-americanos a título de indemnizações.

Esses números, na óptica do administrador, revelam bem que a maior parte dos valores que são recebidos pelas seguradoras são destinado às coberturas dos sinistros que se verificaram e por isso mesmo grande parte dos casos, e na situação específica da ENSA, que tem um seguro de saúde bastante expressivo, são valores que servem para salvar vidas”.

A ENSA é a primeira empresa de seguros do país, tem representação nas 18 províncias e emprega pelo menos 630 trabalhadores.

Actualmente, em Angola, o mercado de seguros conta com cerca de 21 seguradoras. (ANGOP)

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