Cientistas analisam relação de cooperação entre aves e humanos

Uma ave de rapina voa sobre o deserto de Liwa, perto de Abu Dhabi, no dia 6 de janeiro de 2016 (AFP)

Há várias gerações, habitantes da África trabalham em parceria com as aves selvagens da família Indicatoridae para encontrar ninhos e mel de abelhas. Na quinta-feira (21), cientistas anunciaram que analisaram pela primeira vez este relacionamento especial.

A ligação tem benefícios para ambos: os seres humanos subjugam as abelhas com fumaça e colhem o mel, enquanto os pássaros comem a cera da colmeia.

Mas o modo como essa comunicação funciona ganhou uma nova dimensão quando cientistas descobriram que determinados sinais usados por caçadores da comunidade Yao, em Moçambique, para chamar as aves eram muito mais propensos a incentivá-las a levá-los até o mel.

Os próprios pássaros usam certos sinais para encontrar os seres humanos e quando estes respondem com um sinal que soa como um trinado alto seguido por um grunhido curto – “brrr-hm” – os pássaros são mais inclinados a levá-los ao mel do que se as pessoas respondessem com uma simples palavra, ou outro tipo de sinal.

“A chamada tradicional ‘brrr-hm’ aumentou a probabilidade de ser guiado por um Indicatoridae de 33% para 66%”, disse a pesquisadora Claire Spottiswoode, da Universidade de Cambridge e da Universidade de Cape Town.

“E a probabilidade total de que as aves lhes mostrem um ninho de abelhas passou de 16% para 54%, em comparação com os sons de controle”, acrescentou.

As Indicatoridae são encontradas em toda a África subsariana e, dependendo da área, os habitantes usam diferentes sinais para chamá-los.

Esses pequenos pássaros castanhos também exploram outras aves para seu próprio benefício – para colocar, por exemplo, seus ovos em ninhos de cucos. Poucos dias depois da eclosão, as crias usam os ganchos afiados na ponta de seus bicos para matar os bebés cucos, para que possam ter o ninho todo para eles.

“O maior Indicatoridae é um mestre do engano e da exploração, assim como da cooperação”, disse Spottiswoode.

“O que é notável na relação entre as Indicatoridae e os humanos é que esta envolve animais selvagens, cujas interacções com os seres humanos provavelmente evoluíram por meio da selecção natural, ao longo de centenas de milhares de anos”, acrescentou a pesquisadora.

Essa parceria foi relatada pela primeira vez em 1588, quando um missionário português, João dos Santos, viu um pequeno pássaro se dirigindo à sua igreja – na região que é hoje o Moçambique – para comer velas.

Ele também descreveu como a ave levou homens até os ninhos de abelhas, emitindo sons de chamamento e voando de árvore em árvore. Após as pessoas recolherem o mel, o pássaro se alimentou da cera. (AFP)

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