Cavaco Silva rompe consenso anti-sanções

(Bruno Simão/Negócios)

Na reunião do Conselho de Estado, o ex-presidente da República terá lançado “um balde de água” sobre a posição anti-sanções manifestadas pelos demais conselheiros, escreve o jornal Público.

A intervenção de Cavaco Silva na reunião do Conselho de Estado de segunda-feira, 11 de Julho, contrastou com o entendimento geral de que não se justificam sanções a Portugal, avança o jornal Público. Segundo o diário, coube também ao ex-Presidente da República a posição mais crítica relativamente ao actual Governo.

Segundo o jornal diário, a intervenção de Cavaco foi “um balde de água fria” no tom consensual em que a reunião decorreu. O ex-Presidente da República nunca se terá referido directamente às sanções, mas elencou as regras a que Portugal se submeteu – nomeadamente o Tratado Orçamental e os programas de estabilidade – para lembrar que há obrigação de reduzir o défice estrutural e de cumprir os compromissos assumidos.

Cavaco também terá desvalorizado a conjuntura externa de que o Governo se socorre para justificar o pior desempenho económico e as incertezas que o país enfrenta. A envolvente externa é igual para todos, terá lembrado, e as desacelerações de Angola, Brasil ou Espanha terão sido relativizadas.

Segundo o Público, a intervenção de Cavaco Silva foi interpretada por alguns dos presentes como a mais crítica ao Governo.

Concretamente a propósito dos efeitos do Brexit, Jorge Sampaio terá sugerido que Portugal tente criar um pensamento nacional sobre o futuro do projecto europeu. Já para Cavaco Silva este é um tema sobejamente estudado, tendo lembrado o relatório dos cinco presidentes das estruturas da União, de Junho de 2015. (Jornal de Negocios)

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