Britânicos contrários ao Brexit tomam as ruas de Londres

Manifestantes seguram cartazes pró-Europa em protesto contra a saída do Reino Unido da União Europeia, em Londres, Inglaterra, no dia 2 de julho de 2016 (afp_tickers)

Milhares de britânicos tomaram as ruas de Londres neste sábado para mostrar sua oposição à saída do Reino Unido da União Europeia, enquanto no partido conservador é travada a batalha pela sucessão de David Cameron como primeiro-ministro.

Nove dias depois do referendo que decidiu o Brexit, um longo cortejo iniciou seu percurso pouco antes das 12h00 em direcção ao Parlamento a partir de Park Lane, através do Hyde Park, no centro de Londres.

Dezenas de bandeiras da União Europeia eram agitadas na marcha, na qual havia cartazes com slogans como “Breverse” (em referência à permanência), “o Brexit é uma estupidez” ou “a campanha do ‘leave’ mentiu”. “Queremos você, UE”, gritavam os manifestantes.

“Quero que fiquemos na União Europeia. Podemos fazer algo enquanto o artigo 50 não for activado”, declarou à AFP um dos presentes, David, referindo-se ao artigo do Tratado de Lisboa que permite o início do processo de saída da União.

“Tomamos a decisão errada pelas mentiras da campanha pró-Brexit. Quero que revisemos nossa decisão”, explicava Casey, de 37 anos, que segurava flores amarelas e azuis, as cores da bandeira da UE.

“Todos sabem que, caso ocorra um novo referendo, votaremos pela permanência”, considerava, por sua vez, Nicholas Light, de 82 anos, acrescentando que “dezenas de milhares de pessoas não votaram por sair ou ficar na UE, mas contra o governo”.

Segundo uma pesquisa da Ipsos Mori para a BBC, 16% dos britânicos que votaram na consulta acreditam que a Grã-Bretanha ficará na UE e 22% não sabem se o país finalmente sairá. Além disso, 48% dos eleitores acreditam que devem ocorrer eleições legislativas antes do início das negociações de saída com a União Europeia.

Os ministros Theresa May (Interior) e Michael Gove (Justiça), ambos rivais na corrida pela sucessão do primeiro-ministro David Cameron, anunciaram que não iniciarão o processo de Brexit antes do fim de 2016 ou inclusive em 2017, provocando reacções de indignação como a do presidente francês, François Hollande.

A decisão do Brexit “foi tomada” e “não pode ser adiada ou anulada”, declarou Hollande, em linha com outros dirigentes europeus, que pedem a activação o quanto antes do artigo 50 para acabar com a incerteza sobre a actual situação.

Para o chefe da diplomacia do Vaticano, monsenhor Paul Richard Gallagher, interrogado neste sábado pela AFP, o choque do Brexit deve conduzir a uma “refundação” da Europa e ao “reforço” de seus objectivos.

Traição dupla

Entre os conservadores, a ministra do Interior, Theresa May, de 59 anos, se situa como favorita para a sucessão de David Cameron: cerca de uma centena de deputados deram seu apoio a ela, contra vinte que preferem Michael Gove, segundo a imprensa britânica.

O ministro da Justiça, Michael Gove, pode ser prejudicado pela dupla traição cometida – primeiro contra seu amigo David Cameron e depois contra Boris Johnson -, que valeu a ele muitas inimizades no partido, 60% do qual votou pela permanência na UE.

“Após o enorme choque do voto pró-Brexit, o país precisa de alguém com capacidade de (dar) estabilidade, competente e hábil nas negociações. Pode ser que (May) seja chata, mas talvez seja isso o que o momento exije”, escreveu John Rentoul no jornal on-line The Independent.

Embora o sucessor de Cameron deve ser nomeado no dia 9 de Setembro, há os que, no partido conservador, pedem que Theresa May seja instalada à frente da formação, sem esperar o voto dos 150.000 militantes.

Por sua vez, a rainha Elizabeth II abriu neste sábado pela manhã a quinta sessão do Parlamento escocês sem fazer alusões ao Brexit durante seu discurso.

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, se contentou em encerrar seu pronunciamento lançando a mensagem de que a Escócia seguirá “desempenhando seu papel em uma Europa mais forte”.

Um total de 62% dos escoceses votaram a favor de permanecer na UE no dia 23 de Junho e Sturgeon colocou sobre a mesa a possibilidade de uma nova consulta sobre a independência da nação. (AFP)

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