BPC nas mãos de sociedade anónima

(Foto: D.R.)

O BPC, um dos maiores bancos de Angola, vai ter o seu capital sob gestão da Recredit, sociedade anónima de capitais públicos participada a 100% pelo Ministério das Finanças, de acordo com um Despacho Presidencial.

Os activos do Banco de Poupança e Crédito, actualmente avaliado em Kz 1,399 mil milhões, passarão a ser geridos por uma entidade pública a ser coordenada pelo Mistério das Finanças. A informação vem expressa num Despacho Presidencial que autoriza a criação de uma sociedade pública para gerir alguns activos financeiros daquele banco estatal.

O documento sublinha que há “necessidade do Estado proceder à gestão de determinados activos financeiros através de uma entidade que se dedique de modo exclusivo a esta actividade”.

“É criada para o efeito a sociedade anónima de capitais públicos Recredit, participada a 100% pelo Ministério das Finanças, lê-se ainda no Despacho Presidencial, de finais de Junho, mas que não identifica quais os activos ou quantidade a gerir pela nova entidade”.

Em Outubro de 2015 Ministério das Finanças chegou a anunciar o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ao processo de reestruturação do BPC, através de uma linha de crédito para financiar o plano de desenvolvimento daquele banco público e o alargamento da sua carteira de empréstimos para USD 800 milhões nos próximos cinco a sete anos.

A par do empréstimo, aquele grupo africano vai ainda apoiar o BPC na aplicação de um sistema de gestão de riscos. O BPC conta com mais de 5 mil trabalhadores e 400 agências para um total de clientes superior a 2,2 milhões, mas viu os resultados líquidos descerem quase 07 por cento de 2014 para 2015, para Kz 8.289 milhões.

Do total de crédito contabilizado até ao final do ano passado pelo BPC, Kz 218.418 milhões correspondem a crédito vencido, por sua vez um aumento de quase 84% igualmente em dois anos e 16,1% tendo em conta o registo de 2014. O banco tem constituídas provisões de 6,1% sobre o total do crédito concedido, ainda assim o dobro de 2014, mas abaixo dos 08% de 2013, apresentando um rácio de solvabilidade no final de 2015 de 11,3%.

BPC aumentou Capital em 2015

Em Setembro do ano transacto o Governo deu inicio a um processo de incremento do capital social do BPC para garantir a sua viabilidade face ao actual contexto macroeconómico. Na altura, o Ministério das Finanças transferiu títulos do tesouro no valor de USD 270 milhões para garantir uma parte desse aumento de capital.

Os outros dois accionistas do BPC, o Instituto Nacional da Segurança Social e a Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas também chegaram de “ajustar a parte correspondente a esta injecção de capital”.

A operação justificou-se necessária para reforçar o índice de solvabilidade da instituição ( relação entre os activos e os créditos concedidos), que ficará em cerca de 13%, numa melhor posição do que o valor mínimo exigido pelo Banco Nacional de Angola, que é de 10%. (OPAIS)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA