Banco Mundial empresta 63 milhões de euros a Angola para desenvolver pequena agricultura

A agricultura emprega 2,4 milhões de pessoas em Angola, que conta com 13.000 explorações empresariais. (JOSÉ COELHO/LUSA)

O empréstimo do Banco Mundial vai financiar o reforço das habilidades técnicas, institucionais, de gestão de 150.000 agricultores. Mais de dois milhões de famílias angolanas vivem da agricultura.

O Banco Mundial anunciou esta quarta-feira a aprovação de um empréstimo de 70 milhões de dólares (63,1 milhões de euros) a Angola para “aumentar a produção, produtividade e comercialização agrícola” de pequenos produtores das províncias do Bié, Malanje e Huambo.

Em comunicado enviado à agência Lusa, em Luanda, a instituição refere que o empréstimo será concedido pelo Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), que integra o grupo Banco Mundial, e financiará, em termos gerais, o reforço das habilidades técnicas, institucionais, de gestão e de marketing de 150.000 agricultores.

Permitirá melhorar a capacidade de especialistas agrícolas do Governo angolano, bem como de instituições de investigação agronómica, prestadores de serviços agrícolas privados e Organizações Não-Governamentais, apoiando a criação de cadeias de valor, acrescenta o comunicado do Banco Mundial.

O empréstimo financeiro “ajudará a estabelecer e reforçar as associações de pequenos agricultores”, a “melhorar a competência técnica e gestão” dos pequenos agricultores, bem como o reforço da comercialização.

“Angola tem um grande potencial na agricultura, com os seus estimados 35 milhões de hectares de terras aráveis, dos quais menos de 4 milhões de hectares estão atualmente sob cultivo. Mais importante, o projeto é muito importante para melhorar a subsistência de muitos pequenos agricultores pobres no planalto central de Angola, aumentando a sua produtividade agrícola e as articulações para os mercados”, refere, citada no mesmo comunicado, Clara de Sousa, representante residente do Banco Mundial para Angola e São Tomé e Príncipe.

Angola vive uma profunda crise económica, financeira e cambial decorrente da quebra para metade, em 2015, das receitas com a exportação de petróleo.

O Governo angolano lançou em janeiro deste ano um programa que visa dinamizar a produção nacional e diversificação além do petróleo, para travar as importações e aumentar as exportações, gerando outras fontes de divisas, sendo a agricultura a principal aposta.

“Este setor tem potencial para empregar a grande maioria dos pobres das zonas rurais, assegurando maior inclusão de crescimento, reduzindo os gastos com a importação de alimentos para o país e combater a desnutrição que afeta 30% de crianças com menos de cinco anos de idade em todo o país”, recorda o Banco Mundial.

O ministro da Agricultura de Angola, Afonso Pedro Canga, disse na terça-feira que o país tem um potencial de sete milhões de hectares para perímetros irrigados, para a produção agrícola, mas apenas 45.000 hectares de terrenos estão em utilização, envolvendo nomeadamente investidores privados.

“O que é manifestamente pouco para o nosso potencial de terras irrigáveis”, reconheceu.

Mais de dois milhões de famílias angolanas vivem da agricultura, setor que emprega no país 2,4 milhões de pessoas e que conta com 13.000 explorações empresariais. (OBSERVADOR)

por Lusa

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