Banca//Millennium Atlantico: fusão de peso

(Foto: D.R.)

Os dois bancos deram corpo a uma fusão de peso, originando uma das mais fortes instituições em crédito concedido, ganharam complementaridades e sinergias. Que garante que vai colocar a terça parte do capital em bolsa.

banco atlanticoO Atlantico e o Millennium Angola consumaram, no início de Maio, a primeira fusão no sistema bancário angolan o, e logo uma fusão de peso, envolvendo duas das principais instituições que operam no mercado financeiro.
Da união nasceu a terceira maior instituição privada no crédito à economia, com uma quota de mercado de cerca de 10%.
Juntas, as duas instituições, e tendo como referência as contas respeitantes ao primeiro semestre de 2015, somavam activos totais da ordem de 736 mil milhões de kwanzas, o crédito sobre clientes atingia 370 mil milhões de kwanzas e os depósitos de clientes acercavam-se de 557 mil milhões de kwanzas.
Antes da fusão, o Atlantico posicionava-se como o 5.º maior banco em Angola em volume de crédito e em depósitos, com quotas de mercado de 7% e de 6%, respectivamente.

O Millennium Angola ocupava a 6.ª posição no ranking bancário angolano relativo ao crédito e era o 8.º maior em depósitos, com quotas de mercado de 4% e 3%, respectivamente.
O Millennium Atlantico terá um dos maiores níveis de Fundos Próprios do sistema financeiro angolano. O valor superior a 800 milhões de dólares de Capitais Próprios permitirá reforçar a capacidade de financiamento às famílias, às empresas e aos projectos estruturantes, que contribuem para o fomento da sustentabilidade da economia angolana.
O Millennium Atlantico posiciona-se como o líder no Programa Angola Investe, com uma quota de nível de execução 30%, herdada do Millennium Angola.
A nova instituição reúne mais de dois mil colaboradores e centena e meia de sucursais em vários pontos-chave do país, dispondo de um total de 800 mil clientes.
A nova Instituição, além de agregar os actuais accionistas dos dois bancos, abre o capital ao público em geral, através de um IPO (Oferta Pública Inicial) de 33% do capital, no prazo máximo de três anos, uma decisão em que as duas instituições têm conta o desenvolvimento do mercado de capitais em Angola.
A nova escala de intervenção permitirá disponibilizar uma oferta ainda mais direcionada para os desafios e necessidades das famílias, onde se inclui o forte compromisso no crescimento da inclusão bancária, através da sua rede nacional e através de soluções tecnológicas de banca digital. As sinergias geradas permitirão ainda criar novas soluções para as pequenas e médias empresas a operar em Angola, as que mais contribuem para a geração de emprego.
A 4 de Maio, na cerimónia de abertura oficial da nova instituição, que decorreu nas instalações da cidade financeira em Talatona e que contou com a presença do governador do Banco Nacional de Angola, Valter Filipe, e do ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Edeltrudes Costa, o presidente do Conselho de Administração do novo banco, Carlos Silva, sublinhou que o Millennium Atlantico ‘nasce com o propósito de contribuir para o crescimento e desenvolvimento da economia nacional de uma forma sustentável’.

E, para que tal enumerou os factores que concorrerão para que este objectivo seja alcançado: uma estratégia clara de posicionamento do mercado como um banco universal, o investimento em recursos humanos, colocando-os na fronteira do conhecimento da indústria bancária, o investimento numa placa tecnológica que garanta a segurança bancária e um balanço robusto e sólido, possível de conseguir por meio da criação de mecanismos de fiscalização e controlo da actividade.
A operação de fusão entre o Banco Millennium Angola (BMA) e o Banco Privado Atlantico (BPA) foi anunciada pelas duas instituições a 08 de Outubro de 2015.
As instituições, após anunciar a fusão em comunicado, adiantavam que ‘num momento estratégico para a economia de Angola e para o seu mercado financeiro, os accionistas do Banco ATLANTICO e do Banco Millennium Angola decidiram reforçar o seu compromisso com o País, elevando a um novo patamar a parceria estratégica já existente’.

O BCP (‘Millennium bcp’) informava a entidade reguladora do mercado de capitais português (CMVM) ter chegado a acordo com a Global Pactum, o maior accionista do Banco Privado Atlantico, com vista à fusão entre o Banco Millennium Angola, S.A. (‘BMA’) e o Banco Privado Atlantico, S.A. (‘ATLANTICO’).

No comunicado o BCP realçava que a fusão reforça a sua capacidade de expansão em Angola, permitindo ‘obter condições para crescer em contexto adverso’. Simultaneamente, o banco adapta-se às implicações decorrentes da alteração da equivalência de supervisão decidida no final do ano passado pela Comissão Europeia relativamente aquele país africano. Com a fusão, o BCP reduz a sua exposição ao mercado angolano, pelo que a operação permite ‘um impacto positivo estimado de 37 pontos base no rácio de capital ‘common equity tier one’, de acordo com as regras em vigor.

No final de Abril deste ano o processo de fusão estava oficialmente concluído, com a sua formalização em escritura pública. Nos termos do memorando de entendimento firmado, a nova entidade terá um Conselho de Administração constituído por 15 membros, bem como uma Comissão Executiva de 7 membros.

SINERGIAS
As áreas de actuação dos dois bancos desembocam agora em complementaridade operacional.
O Atlantico especializou-se na banca de investimento e nos segmentos de corporate e de private banking.
Já o Millennium Angola posicionou-se como um banco universal, de retalho. ‘A junção das capacidades complementares do Banco Millennium Angola e do Atlantico potencia oportunidades de crescimento e maximiza a capacidade de criação de valor em Angola, possibilitando a manutenção da contribuição da actividade em Angola em níveis consentâneos com a ambição do Millennium BCP e retornos sobre o capital investido ma ordem dos 20%, compensando o abrandamento da economia angolana face aos planos iniciais’, justifica o BPC em comunicado.

AS PARTES DA FUSÃO

O Atlantico é o 5.º maior banco em Angola em termos de crédito e de depósitos, com quotas de mercado de 7% e de 6%, respectivamente. O activo do ATLANTICO atingiu Kz 449 mil milhões em 30 de Junho de 2015, com crédito sobre clientes de Kz 241 mil milhões e depósitos de Kz 353 mil milhões. Desde a sua fundação, em 2006, o ATLANTICO registou um forte crescimento orgânico, sendo hoje uma das principais referências no mercado angolano em banca de investimento e nos segmentos ‘corporate’ e ‘private banking’.

O BMA é o 6.º maior banco do sistema bancário angolano em crédito e o 8.º maior em depósitos, com quotas de mercado de 4% e de 3%, respectivamente, tendo atingido activos totais de Kz 287 mil milhões, crédito sobre clientes de Kz 129 mil milhões e depósitos de clientes de Kz 204 mil milhões no final de Junho de 2015. O BMA posiciona-se no mercado angolano como um banco universal, oferecendo uma gama completa de serviços financeiros nas áreas de particulares e de empresas.

LIGAÇÕES ACCIONISTAS

As ligações entre as duas instituições não nasceram com a fusão. Os seus caminhos já se cruzavam devido às ligações accionistas entre BCP; Atlantico e Millennium Angola. Duas entidades angolanas são accionistas do BPC: a Sonangol que, com 19,44% detém a maior posição qualificada na instituição) e a Interoceânico, sociedade presidida por José Carlos Silva, vice-presidente do BCP e presidente do conselho de administração do Atlantico.

Este detém, por seu turno, uma participação directa de 15% no Millennium Angola, onde o BCP controla mais de 50% do capital. Em contrapartida, o Millennium Angola tem uma participação de 6,7% no Atlantico. A sociedade gestora de activos Global Pactum, accionista maioritária do BPA (com 72,3% do capital) tem uma participação minoritária (5%) no Millennium Angola. (exameangola)

Por: Luís Faria

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