Avião Solar Impulse 2 pousa em Abu Dabi, concluindo volta ao mundo

O avião Solar Impulse 2 pousa em Abu Dhabi, no dia 26 de julho de 2016 (AFP)

O avião Solar Impulse 2 pousou às 04h05 locais de terça-feira em Abu Dabi (21h05 de segunda-feira, hora de Brasília), concluindo a última etapa de sua inédita viagem de volta ao mundo, de mais de 42.000 km, usando o sol como única fonte de energia.

A aeronave tinha descolado no domingo do Cairo, no Egipto, e no último trecho de seu voo histórico foi pilotada, durante 49 horas, pelo suíço Bertrand Piccard, reportou um jornalista da AFP no local.

“Lancei o projecto @solarimpulse em 2003 para transmitir a mensagem de que as tecnologias limpas podem conseguir o impossível”, disse Piccard em uma publicação no Twitter.

O outro piloto, o também suíço André Borschberg, destacou no Twitter que o Solar Impulse 2 “é ao mesmo tempo o primeiro avião com resistência ilimitada e a única aeronave experimental autorizada a sobrevoar as cidades”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou sua “profunda admiração” por esta iniciativa.

“É um dia histórico não só para vocês, mas também para a humanidade”, acrescentou Ban em uma conversa com Piccard transmitida ao vivo.

No domingo, entre aplausos e gritos de apoio da equipe de terra, o avião descolou do aeroporto do Cairo com destino a Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, de onde partiu no dia 9 de Março de 2015 para iniciar a volta ao mundo.

“É um projecto para a energia e para um mundo melhor”, afirmou Piccard, de 58 anos, antes da descolagem, acrescentando que a viagem seria “difícil”.

“É uma região muito, muito quente (…). O voo será esgotante”, advertiu.

Com um peso de uma tonelada e meia, tão largo quanto um Boeing 747, o Solar Impulse 2 voa graças a baterias que armazenam a energia solar captada por 17.000 células foto-voltaicas em suas asas.

Em geral, o avião voa a um velocidade de cerca de 50 km/h, que pode ser duplicada quando está plenamente exposto ao sol.

O Solar Impulse 2 devia ter saído do Egipto na semana passada, mas a descolagem foi adiada pelos fortes ventos e por uma doença do piloto.

O avião solar chegou ao Cairo em 13 de Julho, depois de descolar de Sevilha (sul da Espanha), trajecto de 3.745 km, concluído em 48 horas e 50 minutos.

Piccard realizou o primeiro voo transatlântico em um aeroplano capaz de voar sem combustível. Voou durante 71 horas e 8 minutos ininterruptos para percorrer os 6.765 km que separam Nova York, nos Estados Unidos, da cidade espanhola.

Temperaturas altas

Durante toda a aventura, André Borschberg e Bertrand Piccard se revezaram para pilotar o avião.

“Estávamos um pouco ansiosos com a questão das condições meteorológicas, principalmente as temperaturas nesta região do mundo, próximas aos limites que estabelecemos para o avião”, explicou Borschberg desde o centro de controle do Solar Impulse 2, em Mónaco.

“Mas estamos bastante confiantes, as coisas devem sair bem”, acrescentou.

Piccard atravessou duas vezes o Atlântico em um balão, e seu pai o fez em um submarino.

O piloto pertence a uma família de cientistas e inventores. Seu avô Auguste Piccard inspirou o desenhista belga Hergé a criar o personagem do professor Girassol na série de histórias em quadradinhos Aventuras de Tintim.

Depois de descolar de Abu Dhabi, o Solar Impulse 2 fez escalas em Mascate (Omã), Ahmedabad e Varanasi (Índia), Mandalay (Mianmar), Chongqing e Nanjing (China), e depois Nagoya (Japão).

Após cruzar o Pacífico e fazer uma escala técnica imprevista de vários meses no Havaí, a aeronave continuou o seu voo pelos Estados Unidos, passando por San Francisco, Phoenix, Tulsa, Dayton, Lehigh Valley e Nova York.

A travessia do Pacífico, em duas etapas, era a parte mais perigosa da volta ao mundo, devido à grande distância entre os pontos de aterragem em caso de problemas.

Na primeira parte desta grande travessia oceânica, entre Nagoya e Havaí, Borschberg percorreu 8.924 km durante cinco dias e cinco noites. (AFP)

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