Ativistas angolanos sem medo de voltar à cadeia

(DW)

Um mês depois de serem libertados condicionalmente, jovens do caso 15+2 regressaram ao activismo político. E insistem na libertação de “Dago Nível”, o único activista ligado ao processo que continua detido.

Depois de ser libertado há um mês com termo de identidade e de residência como a maioria dos outros ativistas do processo 15+2, Nuno Álvaro Dala voltou à Universidade. O professor continua a fazer investigação social. E em paralelo, regressou ao activismo político.

“Não existe da minha parte qualquer tipo de medo de regressar à cadeia”, afirma em entrevista à DW África.

Professor universitário e activista angolano Nuno Álvaro Dala

O activista, acusado de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, foi condenado em Março a quatro anos e seis meses de prisão – o seu colega Arante Kivuvu recebeu a mesma pena.

Durante a entrevista, Kivuvu coloca em cima da mesa a Constituição da República de Angola e o livro “Da Ditadura à Democracia”, de Gene Sharp, a obra que os activistas debatiam quando foram detidos em 2015.

“Não tenho receio de ler”, diz. “Estou a aprimorar mais as técnicas [para] conseguirmos manter a nossa resistência pacífica e manifestarmos o nosso descontentamento nessa crise que eles criaram”.

A quebra do preço do crude nos mercados internacionais atingiu fortemente a economia angolana, bastante dependente das receitas petrolíferas. Com dificuldades em obter divisas, o país passou a importar menos e os preços dos produtos básicos aumentaram.

Noutro ponto de Luanda, o jovem Nito Alves também prossegue o seu trabalho de activismo. Mas a sua detenção impediu que concluísse o bacharelato em Relações Internacionais e Ciência Política: “Estou sem valores no banco e os meus familiares estão com problemas de saúde.”

“Dago Nível” continua detido

O único activista ligado ao processo “15+2” que continua detido, na cadeia de Viana, é Francisco Mapanda.

“Dago Nível”, como é conhecido, foi condenado pelo Tribunal Provincial de Luanda a oito meses de prisão por ter dito que o julgamento dos 17 era uma “palhaçada”. A associação cívica “Mãos Livres” responsabilizou-se pela defesa do jovem ativista, detido há quatro meses.

O caso de “Dago” tem sido visto pela sociedade como um assunto isolado, mas Nuno Álvaro Dala discorda, apelando à solidariedade e à libertação do ativista.

“Tal como fizeram com os 15+2, também entendo que deve se dar o mesmo tratamento ao “Dago”. Porque Dago, para além de ele ser ativista, fez aquilo por nós, solidarizou-se por nós”, afirma. “É preciso que ele saia.” (DW)

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