TAAG quer fazer de Luanda o Dubai de África

Peter Hill está em Angola com uma equipa de três gestores (DV)

Crise em Angola obriga a reavaliar plano traçado pela Emirates para revitalizar a TAAG. Atração de estrangeiros pode ajudar a revitalizar economia.

Fazer de Luanda um hub internacional e revitalizar a TAAG e a economia angolana. É este o novo plano da Emirates para a companhia aérea TAAG, que está a gerir desde final de 2014. “Toda a gente viaja para todo o lado passando pelo Dubai. Um dia, quando o novo aeroporto internacional de Luanda estiver a funcionar, África poderá viajar para o resto do mundo através de Luanda, e o resto do mundo poderá viajar para África passando por Luanda. Este é o nosso sonho”, afirmou em entrevista ao jornal angolano Mercado, amanhã nas bancas. “Se se conseguir fazer passar os passageiros desses países [vizinhos] por Angola para outros pontos como Portugal, Cuba e América do Sul, China, por exemplo, então temos acesso a um mercado maior”, disse, nove meses depois de agarrar a companhia e de ter sido obrigado por força da crise das divisas e do petróleo a reavaliar o plano traçado ainda em 2014. “Estamos a manter a companhia e a reduzir os custos, tanto quanto possível”, sublinhou.

O modelo de internacionalização de Luanda como ponto de passagem de passageiros de vários países já está a andar, depois de os serviços de emigração terem permitido uma escala na capital angolana para passageiros sem visto. “Temos tido já algum sucesso, quando trazemos passageiros da África do Sul, conectando-os com os nossos voos para Portugal”, referiu o gestor reformado da Emirates, realçando: “Quando começámos a fazer isto em março último, tínhamos três passageiros, agora são oitenta por mês.” O novo fluxo “está a ajudar a incrementar os lucros da TAAG” e permite antever “um número maior nos próximos meses”, dando alento ao plano de crescimento por via das escaladas. No plano inicial também está previsto um investimento no serviço de bordo, uniformes da tripulação, assentos e entretenimento, que estão em stand by até que haja capital para o fazer. “Tudo isto carece de dinheiro” e “claramente, o governo [angolano] não tem este dinheiro”. Ainda que a atrasar esta renovação da empresa, “o problema da TAAG não é só a falta de dinheiro, tem que ver igualmente com os custos das operações da companhia, que são maiores do que a viabilidade da sua moeda, para pagar as necessidades de importação de suprimentos”, refere o presidente. “Temos kwanzas suficientes, mas a moeda fora de Angola não tem valor”, e “muito do que é necessário requer divisas”, um problema que afecta várias empresas do país. Atrair estrangeiros é, por isso, fundamental. Quanto maiores forem as fontes de obtenção de divisas, melhor. Porque, sempre que obtemos divisas, podemos pagar as nossas contas no exterior. A estratégia que falei há pouco de usar o aeroporto de Luanda como um ponto de passagem da África do Sul e de Portugal é uma forma de captar essas divisas. Portanto, quanto maior trânsito pudermos atrair, melhor para a TAAG.” E oportunidades, salienta, não faltam. “Vejamos, voamos para China, América do Sul, iremos ter Cuba na nossa rota, ainda estamos a ver outros destinos. Não estamos totalmente dependentes da economia do país.” (Dinheiro Vivo)

por Ana Margarida Pinheiro

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA