Abertura dos mercados: Brexit volta a pressionar euro, libra e bolsas europeias

(Reuters)

As bolsas europeias estão em terreno negativo, reflectindo os crescentes receios em torno do impacto do Brexit na economia mundial. O euro desce face ao dólar e a libra já atingiu um novo mínimo de 1985.

Os mercados em números

PSI-20 desce 0,56% para 4.367,72 pontos

Stoxx 600 perde 0,70% para 321,89 pontos

Nikkei desvalorizou 1,85% para 15.378,99 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos descem 1,4 pontos base para 3,006%

Euro recua 0,14% para 1,1060 dólares

Petróleo em Londres sobe 0,13% para 48,02 dólares o barril

Bolsas europeias em queda

As bolsas europeias estão a negociar em queda esta quarta-feira, 6 de Julho, penalizadas pelos receios em torno do impacto do Brexit. O índice de referência para a Europa, o Stoxx600, perde 0,70% para 321,89 pontos.

Na bolsa nacional, o PSI-20 desce 0,56% para 4.367,72 pontos, pressionada sobretudo pela Galp Energia e pela Jerónimo Martins. A petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva recua 0,98% para 12,075 euros enquanto a retalhista desce 1,12% para 14,11 euros.

Juros portugueses a dez anos pouco acima de 3%

Os juros da dívida portuguesa estão em baixa ligeira no mercado secundário, acompanhando a tendência que se estende aos chamados periféricos da Zona Euro. A ‘yield’ associada às obrigações a dez anos desce 1,4 pontos base para 3,006%, enquanto em Espanha, no mesmo prazo, a queda é de 2,5 pontos base para 1,165%.

Libra atinge novo mínimo de 1985

A libra está a desvalorizar face às principais divisas mundiais, reflectindo os crescentes receios em torno da economia do Reino Unido à luz do resultado do referendo à permanência na União Europeia.

A moeda britânica, que tem sido fortemente penalizada desde a vitória do “Leave”, perde 0,71% para 1,2929 dólares, depois de já ter negociado em 1,2798 dólares, um novo mínimo de 1985. Face ao euro, a libra cai 0,6% para 1,1686, o valor mais baixo desde 2013.

“É agora evidente que alguns riscos se materializaram”, afirmou o Banco de Inglaterra no relatório semestral sobre estabilidade financeira, divulgado esta terça-feira. E, devido ao Brexit, o “outlook é desafiante”, notou a autoridade monetária liderada por Mark Carney, que decidiu reduzir os requisitos de capital para os bancos.

Petróleo pouco alterado após forte queda

O petróleo está pouco alterado nos mercados internacionais, depois de ter desvalorizado mais de 4% na sessão de ontem, em que os investidores se refugiaram em activos considerados mais seguros, como o iene e o ouro.

O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, sobe 0,09% para 46,64 dólares, enquanto o Brent, transaccionado em Londres, avança 0,13% para 48,02 dólares.

Esta quinta-feira, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos vai revelar os dados sobre as reservas de crude norte-americanas, um dia depois do habitual devido ao feriado de segunda-feira. Segundo estimativas recolhidas pela Bloomberg, as reservas deverão ter diminuído em 2,5 milhões de barris na semana passada.

Ouro em máximos de mais de dois anos

O ouro está a negociar no nível mais elevado em mais de dois anos, a beneficiar do movimento de fuga ao risco provocado pelos receios em torno do Brexit e das consequências desta decisão para a economia mundial.

O metal precioso sobe 0,92% para 1.368,99 dólares por onça, o valor mais alto desde Março de 2014. Já a prata valoriza 2,5% para negociar nos 20,4360 dólares.

Destaques do dia

Fundos de acções nacionais arrasados. Os fundos que investem em acções da bolsa portuguesa perdem, em média, mais de 16%. Desempenhos que reflectem o clima de instabilidade nos mercados financeiros e que está a afastar os investidores dos activos de maior risco, como as acções nacionais.

Dois em cada três fundos estão com saldo negativo. Dois terços dos fundos apresentam um desempenho negativo desde o início do ano. Fundos que investem no sector financeiro lideram as descidas, enquanto o Brasil dá samba aos investidores.

Bancos atiram taxas dos depósitos para novo mínimo. Os depósitos a prazo já não rendem muito, mas cada vez dão retornos menores. A taxa oferecida nas novas aplicações atingiu um novo mínimo histórico de apenas 0,4%.

Brexit passa factura à economia. Investidores fogem. Com o Brexit, aumentaram os receios em torno da economia britânica. Mas não só. Há dúvidas sobre a economia global que estão a fazer tremer os investidores. Com a falta de confiança, assiste-se a uma fuga que passa factura aos mercados.

Libra perde a coroa à espera de “tempos difíceis”. O Banco de Inglaterra está pronto para “medidas adicionais” no rescaldo do referendo. Para já, perante sinais do impacto do Brexit na economia que estão a afundar a moeda, aliviou as exigências aos bancos para aumentar o crédito.

O que vai acontecer hoje

INE. Índice de Custos de Construção de Habitação Nova e Índice de Preços de Manutenção e Reparação Regular da Habitação, em Maio.

EUA. Saldo da balança comercial, em Maio; Índice PMI para os serviços, em Junho.

Reserva Federal. Publica minutas da última reunião de política monetária, realizada a 14-15 de Junho. (Jornal de Negocios)

por Rita Faria

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