UNITA acusa a polícia de dar cobertura a ataques contra deputados

(Wikipedia)

Em Angola, o ministério do Interior responsabilizou a UNITA pelos incidentes de Cubal, de 26 de Maio, que levaram à morte de três pessoas. Adalberto da Costa Júnior, presidente do grupo parlamentar da UNITA, disse à RFI que o ministério está “a mentir descaradamente” e acusa a polícia de ter dado cobertura ao ataque de milícias, reclamando um inquérito multidisciplinar na Assembleia.

A UNITA acusa o ministério do Interior de estar “a mentir descaradamente” e aponta o dedo à polícia por, alegadamente, ter dado cobertura aos incidentes de 26 de Maio, na localidade de Cambulo-Capupa, no município do Cubal, nos quais morreram três pessoas.

“Nós, no local, fomos agredidos verbalmente, fomos agredidos fisicamente, foi visível que íamos ser alvos de ataque e os comandantes da polícia não fizeram rigorosamente nada”, declarou à RFI Adalberto da Costa Júnior, presidente do grupo parlamentar da UNITA, acrescentando que “o governo perdeu a guerra da comunicação porque o ministério está a mentir descaradamente”.

O presidente do grupo parlamentar da UNITA quer que seja feito um inquérito multidisciplinar na Assembleia.

“O ministério do Interior supervisiona os comandos da polícia. Os comandos da polícia abandonaram os deputados. Os comandos da polícia mentiram. O ministério do Interior fez um comunicado cheio de falsidades que o seu próprio comando do Cubal desmente. Como é que um ministério que actua desta forma pode exercer qualquer comissão de inquérito?”, questionou.

Um inquérito do Ministério do Interior, apresentado esta segunda-feira, concluiu que disparos de armas de fogo, “retiradas indevidamente” à polícia e efectuados por militantes da UNITA, causaram a morte de três pessoas.

Em resposta, Adalberto da Costa Júnior justificou: “Se estamos vivos hoje é graças ao facto de alguns membros da nossa delegação, ex-militares, terem desarmado a polícia e terem utilizado as armas que eles receberam para defender o grupo, inclusive a polícia. Inclusive, o polícia que foi ferido foi resgatado aos atacantes pelas pessoas que a polícia agora quer enviar a tribunal. O polícia que foi retirado do sítio do ataque para o Cubal foi transportado em carro da UNITA, não em carros da polícia porque os carros da polícia fugiram.”

O deputado lamentou, ainda, que haja, em Angola, “quem confunda farda com a lei”, afirmando que “a conferência de imprensa de ontem foi de uma gravidade extrema” porque “cidadãos ou deputados não podem sentir-se seguros com comandantes da milícia que cobrem milícias ilegais”.

Adalberto da Costa Júnior afirmou, também, ter sido informado que os incidentes de Capupa o visavam directamente e voltou a acusar o MPLA de “estar a promover a intolerância política em todo o país”.

“O problema aqui não é Capupa, o problema aqui é o caminho para as eleições (… ) O regime está desesperado à procura de um qualquer argumento que lhes permita instaurar aqui um clima de emergência, de restrição das liberdades e de manipulação daquilo que é o ambiente político actual. Não está a conseguir. Nós fomos informados que um dos objectivos de Capupa era a eliminação física do presidente do grupo parlamentar”, disse. (RFI)

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