Sanções a Portugal? As regras são para cumprir, diz a Finlândia

(AFP/Getty Images)

Ministro finlandês elogia mudanças notáveis feitas por Portugal e Espanha mas diz que a questão é cumprir as regras e usa a Finlândia como exemplo, dizendo que tomaram medidas para evitar derrapagens.

As regras são para cumprir. É assim que o ministro das Finanças da Finlândia olha para a possibilidade de sanções a Portugal e Espanha pela violação das metas do défice acordadas, defendendo que ambos os países fizeram progressos notáveis, mas que o seu país também tudo fez para evitar entrar em situação de défice excessivo e teve três anos em recessão.

Estamos a tentar analisar as regras e cingirmo-nos às regras. É uma situação difícil, mas tenho a certeza que se chegará a uma solução. Espanha e Portugal têm sido casos relativamente particulares nos últimos anos. Penso que ambos os países fizeram mudanças estruturais notáveis ao longo dos anos, agora temos de ver como as coisas evoluem”, afirmou o ministro finlandês à entrada de mais uma reunião dos ministros das Finanças na União Europeia, que decorre no Luxemburgo.

Depois dos elogios a Portugal e Espanha, Alexander Stubb, que deixará em breve o cargo depois de perder as eleições no seu partido, passou entender a defender o seu próprio caso. Começando por defender que a Comissão Europeia tem de ser neutra e “tratar sempre os Estados-membros de forma justa, sejam grandes ou pequenos”, Stubb fez então um auto-elogio: “a Finlândia fez tudo para evitar um Procedimento por Défice Excessivo, para baixar o nosso défice e fizemos mudanças estruturais para retomar o caminho do crescimento. Depois de a economia cair em 2012, 2013 e 2014 voltou finalmente a valores positivos em 2015 e terá um crescimento robusto em 2016”.

Quanto a Espanha, diz, está no bom caminho e a ter um bom desempenho. Já sobre Portugal, diz, “esperemos que melhore nos próximos anos”.

A Finlândia é um dos países que tradicionalmente apoia o eixo mais conservador dentro do Eurogrupo e do Ecofin, que é liderado pela Alemanha, tendo estado entre os que mais têm exigido aos países sob resgate durante os anos de crise, entre eles Portugal.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, também falou à entrada sobre a discussão de hoje. No mês passado, em Bruxelas, o holandês disse que havia ministros que estavam contra a decisão da Comissão Europeia de adiar uma decisão para julho, depois do referendo à permanência do Reino Unido na Comissão Europeia e das eleições legislativas antecipadas em Espanha, ambas a decorrer na próxima semana. A Alemanha foi um desses países e fê-lo de forma pública, como é habitual pela mão de Wolgang Schäuble.

Essa decisão terá causado perplexidade entre os ministros das Finanças da União Europeia e o holandês disse que o tema seria discutido na reunião de hoje, mas à entrada foi vago, garantindo apenas que existirá uma discussão sobre as recomendações especificas por país. No entanto, garante, nada ficará decidido hoje. Os ministros só tomarão uma decisão em julho, depois de a Comissão Europeia apresentar finalmente a sua recomendação aos ministros. (OBSERVADOR)

por Nuno André Martins

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