Rússia vai apresentar dados sobre satélites militares dos EUA

(© flickr.com/ US Air Force)

O membro da delegação russa na 59° sessão do Comité das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Sideral (em inglês, COPUOS) Viktor Shilin contou ao jornal Izvestia que a Rússia planeia tornar público o seu próprio catálogo de objectos em órbita próximos da terra.

Este serviço russo será análogo ao catálogo americano NORAD, mas ele não vai conter só satélites civis e lixo espacial, mas também informações que não estão nas fontes abertas do Comando da Defesa Espacial dos EUA (em inglês, USSPACECOM). No catálogo americano NORAD não há dados abertos sobre satélites militares dos aliados dos EUA – da França, da Alemanha, de Israel e do Japão. Mas os satélites militares russos estão presentes nesse catálogo.

Moscovo propõe unir os dados das bases nacionais em um catálogo conjunto, que seria acessível para todos os países que estão envolvidos em actividades espaciais. Este sistema pode informar sobre ameaças potenciais para os aparelhos colocados no espaço e para os objectos na superfície da Terra, além de avisar sobre os vários perigos do lançamento de foguetes.

Nas Nações Unidas esta iniciativa foi apoiada pela China, os EUA votaram contra, desejando manter seu monopólio do espaço próximo da terra, disse ao jornal um outro participante da sessão, acrescentando que os militares dos EUA não ficaram especialmente contentes por uma possível divulgação de dados abertos sobre seus satélites.

“Sem dúvida que os americanos estão nervosos com a intenção de anular o carácter secreto dos dados sobre seus aparelhos espaciais militares – isso acontecerá de qualquer maneira”, resumiu ele.

Em maio, o Pentágono acusou a Rússia de aumentar seu potencial para atacar os EUA no espaço. Um maior alarme dos militares dos EUA favorece os satélites. Naquele tempo os especialistas consideraram essas declarações do Ministério da Defesa dos EUA como tentativas para justificar um aumento do orçamento militar, em que o Pentágono aspirava aumentar as despesas para se opor a uma ameaça ilusória.

Moscovo tem proposto repetidamente a desmilitarização do espaço. Em Abril, o chanceler russo Sergei Lavrov prometeu que o país não seria o primeiro a instalar armas no espaço. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também observou que a instalação de objectos nucleares no espaço pode levar a uma corrida descontrolada ao armamento. No final do ano passado, a Rússia apresentou um projecto de resolução correspondente à Assembleia-Geral da ONU que foi bloqueado pelos EUA. (SPUTNIK)

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