Prós e contras de uma livre flutuação do câmbio em Angola

Kinguila (vendedor informal de divisas) numa praça de Luanda, Angola (DW)

Em Angola há quem considere que livre flutuação do câmbio poderia ser a melhor opção para a economia. Mas também há quem defenda que o atual controlo do Governo sobre o mercado cambial é o mais correto, por ser realista.

Desde setembro de 2014 que o Kwanza se desvalorizou em mais de 40%, face ao dólar norte-americano, para 166 kwanzas para um dólar, a taxa oficial. No mercado paralelo – a única alternativa face à falta de divisas nos bancos – essa cotação está acima dos 500 kwanzas. A diferença entre o preço do dólar no mercado paralelo e no oficial em Angola é uma das maiores do Mundo, de acordo com a agência financeira Bloomberg.

E as consequências dessa situação são várias, a diminuição do poder de compra, já muito baixo, é apenas um exemplo. Optar por uma flutuação livre do Kwanza, a semelhança do que está a acontecer na Nigéria, seria a solução?

O economista angolano Fernando Heitor responde: “Não me parece que seja uma medida prudente a não ser que se tenha no horizonte a recuperação da moeda nacional, o que não é o caso. O preço do barril de petróleo vai se manter, a diversificação da nossa economia ainda vai levar tempo para dar resultados palpáveis. Portanto, ainda vamos manter esta crise por algum tempo, [por isso] não faz sentido.”

Consequências de uma flutuação da moeda

Por um lado, para a população, uma flutuação livre do Kwanza seria bastante prejudicial, uma vez que encareceria ainda mais todos os bens de consumo importados, já vendidos a preços muito altos.

Mas por outro lado, haveria vantagens de uma flutuação livre da moeda para quem faz mover a economia. Pois, os bens produzidos em Angola ganhariam competitividade nos mercados internacionais através de uma maior desvalorização do Kwanza.

O economista Sapalo António prefere ver os ganhos nessa perspetiva: “Isto é vantajoso tanto do ponto de vista económico como financeiro. Do ponto de vista económico os empresários conseguem adquirir a divisa facilmente para a realização dos seus negócios. Também do ponto de vista nacional como em termos de comércio internacional, quadro das importações e exportações.”

Por outro lado, para evitar a fuga de capitais, que registaram níveis sem igual nos últimos anos, as autoridades angolanas têm disponibilizado poucas divisas aos bancos comerciais. Pois, por causa da baixa do preço de petróleo chegam cada vez menos dólares ao país.

Restrição do Kwanza precisa-se

Uma flutuação livre do Kwanza face ao dólar, como aconteceu na Nigéria com o Naira, não colocaria em risco as reservas de divisas?

Fernando Heitor diz que “muito Kwanza em mãos de empresários pode-lhes dar apetência de fazer uma maior pressão ao dólar. Por isso é que enquanto houver dólares no mercado informal, a procura pelo dólar vai ser cada vez maior porque há muito Kwanza na posse de empresas e de algumas famílias. Portanto, tem de haver alguma restrição. E é o que tem estado a acontecer, mas essa restrição não pode ser tão grande assim a ponto de sufocar a atividade económica.”

De lembrar que a economia angolana está assente no petróleo, seu maior produto de exportação, atualmente em baixa no mercado internacional. Ha muitos anos, que o Governo de Angola pretende diversificar a economia do país para diminuir a dependência do petróleo e dos petro-dólares. (DW)

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