Produção actual de café é 20 vezes menor a de 1974

(Foto: Angop)

Passam 42 anos desde que Angola se posicionou, pela última vez, entre os quatro ?gigantes? produtores e exportadores de café do mundo, com uma produção que se situava entre 200 mil a 230 mil toneladas de café/ano.

Na última campanha agrícola (2014/2015), o país produz pouco mais de 12 mil toneladas, uma cifra 20 vezes abaixo da que produzia há quatro décadas, safra consumida localmente e exportada para os mercados da Ásia, América e Europa.

A causa da baixa da produção tem a ver, segundo o ministro da Agricultura, Afonso Pedro Canga, que falava à Angop, com o abandono das áreas de produção do café, redução da mão-de-obra e vias de comunicação intransitáveis são apontadas como algumas das razões da baixa de produção, sem esquecer a guerra que foi o principal factor.

Nessa altura, na óptica do governante, é preciso recuperar as plantações velhas e integrar mais pessoas na actividade.

“ A cafeicultura exige uma força de trabalho permanente. Podemos dizer que é uma actividade intensiva em mão de obra e muitos dos que se dedicavam a essa já não existem”, realçou.

O titular da pasta da Agricultura não precisou quanto o país consumiu nem quanto exportou, mas admitiu que a actual cifra está muito aquém das potencialidades e capacidades do país.

Entretanto, revelou que o seu sector está a realizar investimentos no sentido de se recuperar a posição do café e voltar a exportá-lo em grandes quantidades.

“ Está a investir-se para que se possa aumentar a produção e a qualidade do café exportável”, afirmou o ministro, mostrando-se optimista numa retoma da produção em grande escala de café.

O subsector do café, segundo Afonso Canga, está a merecer um tratamento especial e conta-se com as unidades privadas existentes, a agricultura familiar e os pequenos produtores para se relançar a produção.

Medidas como apoio ao produtor, com fornecimento de mudas, pelo instituto Nacional do Café (Inca), para renovar as plantações ou expandir as áreas plantadas, concessão de créditos aos cafeicultores e de terrenos para exploração constituem, entre outras, as acções para impulsionar a actividade cafeícola.

“Precisamos de espaço e condições de crédito para que os empresários possam desenvolver essa actividade e para poderem honrar seus compromissos com os trabalhadores”, reforçou o ministro, acrescentando que a força de trabalho fica muito tempo sem fazer outra coisa senão a produção de café, cuja colheita dura quatro a cinco anos.

Transformação local do café

Além de exportar, Angola também transforma o bago vermelho para consumo interno. De acordo com o governante, muitas empresas já estão a processar o café. Fazem a colheita, descasque e torrefacção.

Para si, já há bons resultados notáveis no mercado nacional, porque já é visível café produzido e transformado nalgumas regiões, como Cuanza Sul.

Resultados da exportação do café em 2015

Angola obteve nove milhões de dólares norte-americanos, menos 21 milhões em relação a 2014 em que se arrecadaram USD 30 milhões, segundo um relatório do Banco Nacional de Angola (BNA).

Relação cidade de Luanda e o café

A cidade de Luanda foi construída, na época colonial, maioritariamente com receitas provenientes do café. Grande parte do café que financiou a construção de estradas e outros edifícios era proveniente do Waku Kungo, localidade da província do Cuanza Sul.

Em Angola, as províncias que tradicionalmente produzem café são Bengo, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Bengo e Uíge. (angop)

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