Presidente moçambicano aceita mediadores nas negociações com a RENAMO

Presidente de Moçambique Filipe Nyusi (esq.) e Afonso Dhlakama, líder da RENAMO (GETTY IMAGES)

Filipe Nyusi, Presidente de Moçambique, anunciou que aceitará presença de mediadores nas negociações entre o Governo e a RENAMO, principal partido de oposição, apontando o fim imediato dos confrontos como uma prioridade.

O Presidente Filipe Nyusi, disse esta quinta-feira (16.06.), pela primeira vez, que aceita a exigência da RENAMO que condiciona a realização do diálogo ao mais alto nível entre o Governo e o maior partido da oposição à presença de mediadores. Nyusi destacou que o importante, neste momento, é que as duas partes dialoguem para terminar com a guerra e desenvolver o país.

Filipe Nyusi reconheceu, por outro lado, que a situação político militar que se vive no país não é das melhores para que se deixe que as coisas aconteçam.

Segundo Nyusi, as pessoas sabem apenas o que acontece nas estradas, numa alusão ao aumento do número de ataques a viaturas civis que têm resultado igualmente em mortos, feridos e danos materiais. Ele falava num comício no quadro da presidência aberta no posto administrativo da Machava, na província de Maputo.

O comício coincidiu com as celebrações do Dia Internacional da Criança Africana e da passagem de mais um aniversário do massacre de Mueda, levado a cabo pelas autoridades coloniais em 1960.

Uma das exigências da RENAMO satisfeita

Discursando no comício, o Chefe de Estado disse que para evitar a continuação da guerra e de mortes aceita a exigência da RENAMO para a presença de mediadores no diálogo entre as lideranças do Governo e da RENAMO.

“Para evitar que haja moçambicanos que morram, adultos ou não, guerrilheiros ou não, eu vou aceitar que haja esse tipo de pessoas para podermos falar, mas o importante é para falarmos, terminar com a guerra e desenvolvermos Moçambique”.

A questão da mediação está na origem do impasse que se regista nos trabalhos da Comissão Mista encarregue de preparar o frente a frente entre o Presidente Filipe Nyusi e o líder da RENAMO Afonso Dhlakama.

Nyusi acusa a RENAMO de ter colocado esta exigência apenas quando as partes alcançaram o acordo em relação a agenda do diálogo ao mais alto nível.

“Queremos perceber quem são essas pessoas e como é que vêm. Em relação a isso vamos combinar. Se for preciso eu falar antecipadamente com o Presidente da RENAMO, o Dhlakama, hei-de falar para saber quem são as pessoas. Mas se for preciso para falar que estejam pessoas intermediárias nós vamos aceitar para que não morram crianças”.

A RENAMO tem proposto para mediarem o conflito o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, a União Europeia e a Igreja Católica.

“Não vamos permitir que Moçambique fique bloqueado”

O Presidente Filipe Nyusi disse que o Estado podia fazer aquilo que achasse em defesa dos moçambicanos mas esta não é a sua intenção.

“A intenção do vosso Presidente”, afirmou, “é vivermos juntos, falarmos e desenvolver Moçambique, por esta razão não vamos permitir que Moçambique fique bloqueado”- acrescentou.

Recorde-se, que uma Comissão Mista entre o Governo e a RENAMO encarregue de preparar o diálogo entre o Presidente Nyusi e Afonso Dhlakama, líder do maior partido da oposição, realizou a sua última sessão na passada quarta-feira (08.06.) depois de ter alcançado um acordo em relação a agenda do frente a frente ao alto nível.

Esta agenda é composta por quatro pontos, nomeadamente do lado da RENAMO propôs a governação das seis provincias onde afirma ter ganho as eleições e a situação das Forças de Defesa e Segurança, enquanto o Governo propôs a cessação imediata dos ataques da RENAMO às populações e o desarmamento daquele partido.

Agravamento dos confrontos nas últimas semanas

Moçambique tem conhecido um agravamento dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

A polícia moçambicana responsabiliza a RENAMO por emboscadas a viaturas civis em vários troços da principal estrada do país, na região centro. (DW)

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