Perspectivas da economia

RAIMUNDO VAN-DÚNEM Economista (Foto: D.R.)

As projecções de crescimento económico mundial têm sido alvo de algumas correcções, nomeadamente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outras organizações internacionais.

No seu relatório de Abril último, o FMI aponta uma estimativa de 3,2 por cento para 2016, 3,5 para 2017, acima dos 3,1, de 2015. Já a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), no seu relatório de Maio passado, estima um crescimento da economia mundial em torno de 3,1 por cento, contra 2,9 de 2015.

As referidas correcções são justificadas pelos seguintes factores: 1) baixa cotação do barril de petróleo nos mercados internacionais; 2) desaceleração da China; 3) crise migratória na União Europeia (UE) e conflitos geopolíticos na Síria;4) turbulência nos mercados financeiros internacionais – bolsas de valores; 5) fenómeno climático “El Nino” que o momento deverá aumentar os riscos da seca, fome e doenças para milhões de pessoas, em África, parte do Caribe, América do Centro e Sul.

A África Subsahariana deverá registar uma desaceleração no crescimento económico para 3,0 por cento em 2016, comparativamente aos 3,4 observados no final de 2015, e prevê-se uma recuperação ligeira para 4,0 em 2017.

Tal comportamento é resultante dos efeitos nocivos, nomeadamente, as greves de longa duração evidenciadas no sector industrial, a baixa de confiança empresarial e a queda do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Neste contexto, para o ano em curso, a economia nacional deverá ressentir-se dos choques externos, derivados, principalmente, da baixa cotação do petróleo, sendo considerada a principal commodity de exportação, representando cerca de 75 por cento das receitas fiscais e 95 das exportações.

De acordo com o OGE 2016, a economia nacional deverá apresentar uma desaceleração para 3,3 por cento, considerando-se um ritmo moderado em relação aos períodos anteriores, e prevê-se um défice de 5,5 do produto nacional bruto, incluindo a estagnação do sector público administrativo.

Assevero que a situação económica e financeira em Angola continuará a ser um desafio em 2016 porque não se espera uma recuperação do preço do petróleo (brent: Dezembro 2015; usd 37,30 bpd face aos 52,60 bpd de Dezembro 2014).

Os preços do petróleo sofreram quedas sucessivas ao longo do ano de 2015, resultantes do excesso de oferta no mercado, abrandamento da economia chinesa e a produção de óleo de xisto nos Estados Unidos da América.

A produção mundial do ouro negro fixou-se em 95,70 milhões de barris por dia, para uma procura de 92,98 milhões. Em 2015, a Opep representava 34 por cento da produção mundial (87,188 milhões), equivalentes a 32,248 milhões de barris por dia (bpd), sendo que a Arábia Saudita detém a quota de mercado do cartel, com cerca de 32 por cento, correspondente a 10,108 milhões bpd.

Por outro lado, Angola figurava em oitavo lugar da lista dos produtores da Opep, com uma quota de 6,0 por cento, equivalente a 1,753 milhões de barris de petróleo por dia ( bpd). (jornaldeeconomia)

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